Em entrevista à agência Lusa a propósito dos 40 anos do SNS, Marta Temido considerou necessário que os profissionais sejam compensados, em termos de penosidade, pelo serviço em urgência e que tenham também incentivos à produtividade na atividade que é programada, como consultas ou cirurgias.

“Há um trabalho de política de recursos humanos que é preciso enfrentar quando um novo ciclo se iniciar. Precisamos de rever os nossos modelos remuneratórios. É preocupante e desencantadora a realidade que temos neste momento, que é termos alguns serviços muito dependentes de prestadores de serviços. Precisamos de reverter esta realidade. Como é que isso se faz? Tornando mais atraente o trabalho em serviço de urgência para os profissionais do mapa de pessoal das instituições”, sugere a ministra da Saúde.

“Volume de recursos não se vai alterar” muito

 

Marta Temido admite que o “volume global de recursos não se vai alterar significativamente” e por isso argumenta que é necessário alocar os recursos de outra forma: “De uma forma que incentive os profissionais a aceitar o trabalho de urgência no seu hospital e incentivando-os a serem mais produtivos e eficientes na atividade programada, como o modelo das unidades de saúde familiar (USF)”.

Além disso, a ministra entende que é preciso garantir que os profissionais que se formam “são atraídos e mantidos dentro do SNS” e não descarta a ideia de que possam vir a ser obrigados a um período de permanência no serviço público.

“Nesta legislatura, a questão já não se pode colocar. Num cenário de médio ou longo prazo é um tema sobre o qual nos temos que nos debruçar. Sentimos que os profissionais que formamos no SNS têm uma enorme apetência por trabalhar noutros sítios ou trabalhar no SNS em prestação de serviços”, refere à Lusa.

 

É necessário “rever os modelos remuneratórios”

 

Como um dos desafios da próxima equipa governativa, Marta Temido elege a tarefa de “recuperar o orgulho dos profissionais no trabalho no SNS”, sendo necessário “rever os modelos remuneratórios”, por exemplo, compensando melhor o trabalho em serviço de urgência.

Os profissionais evitam fazer urgência. Como revertemos essa situação sem afetar a atividade programada? Eventualmente, e digo eventualmente porque pertence a um novo executivo, revendo a forma de compensar esse trabalho, associando alguma componente de penosidade”, defendeu.

A ministra considera que a desagregação das carreiras dos vários profissionais do SNS foi um dos motivos que fez o serviço público perder capacidade de atração dos profissionais.

Embora “parte do orgulho dos profissionais” possa ser recuperado com projetos dentro das instituições em que trabalham, Marta Temido argumenta que será sempre preciso rever as formas de remuneração.

Para a ministra, outro dos desafios do SNS é diminuir a disparidade entre a imagem que tem o serviço de saúde e a sua qualidade efetiva.

“Temos uma disparidade entre a qualidade efetiva do SNS e a qualidade que é percebida. Temos de modificar a imagem do SNS, que muitas vezes é uma imagem que se tem contagiado e não corresponde à total experiência dos utilizadores do SNS”. Considerou.

SO/LUSA

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