Em comparação com o ano 2018, a inscrição de obesos para cirurgia aumentou 61%, o que corresponde apenas ao primeiro semestre de 2019.

Em junho, de acordo com o Jornal de Notícias(JN), havia 2176 pacientes à espera de serem operados, mais 826 do que em período homólogo do ano passado.

De acordo com o JN, “o aumento estará relacionado com um maior acesso à primeira consulta de obesidade e com as novas regras de financiamento dos hospitais para cirurgia bariátrica introduzidas há um ano”.

A administração central do sistema de saúde (ACSS) afirma que apesar do aumento, a média do tempo de espera para a cirurgia em junho manteve-se nos seis meses, à semelhança do ano anterior.

É de frisar que, segundo os dados de 2017 da Eurostat, a obesidade afeta 15,7% da população portuguesa. Assim sendo, é uma das especialidades mais procuradas em Portugal, resultando em tempos de espera para consultas e cirurgia muito elevados. Foi isso que levou vários hospitais a reduzir a lista de cirurgia e a limitar as primeiras consultas, deixando assim muitas pessoas sem uma resposta atempada.

Houve ainda, segundo o presidente da Associação de Doentes Obesos e ex-Obesos, Carlos Oliveira, “hospitais que, para esconder as listas de espera, fecharam as primeiras consultas”, o que originou, mais tarde, uma denúncia por parte da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Essa foi, de acordo com o presidente da associação, o motivo pelo qual os hospitais reabriram a marcação de consultas nesta especialidade.

O diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Obesidade do Hospital de S. João, no Porto, afirma, em entrevista ao JN, que o aumento da lista de espera para cirurgia se deve ao facto de ter havido alterações nas regras de financiamento dos hospitais dos Programas de Tratamento Cirúrgico de Obesidade, o que fez com que os hospitais começassem a abrir novamente as consultas e a lista de espera para cirurgias. Isso, acrescido da nova tabela salarial para os profissionais de saúde para o trabalho suplementar, publicada em portaria em setembro de 2018, e do pagamento de mais duas técnicas para a redução do excesso de peso – o “sleeve” e a derivação biliopancreática e transposição duodenal, aumenta ainda mais o problema.

EQ/SO

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