O jejum em dias alternados (JDA) tem efeitos positivos no peso corporal, indicadores cardiovasculares e marcadores moleculares do envelhecimento, revela um estudo feito entre adultos saudáveis ​​sem obesidade ou diabetes, e publicado na revista Cell Metabolism.

O JDA é uma abordagem diferente para controlar o peso, em comparação com a restrição calórica comum ou o jejum intermitente, que restringe a ingestão diária a uma janela de 8 a 12 horas. Os resultados mostraram que este método, a JDA, provoca uma restrição calórica de cerca de 35% e ajuda na perda de, pelo menos, 3,5 quilos em quatro semanas.

A equipa de investigadores, liderada por Thomas Pieber, dividiu a amostra em dois grupos. O primeiro, com 30 pessoas, realizou jejum em dias alternados nos seis meses anteriores ao começo do estudo. O outro grupo (de controlo), composto por 60 pessoas, foi, por sua vez, divido em dois sub-grupos: um fez JDA durante quatro semanas e o outro seguiu uma dieta sem retrições. Foi selecionada uma amostra sem diferenças significativas ao nível da distribuição por sexo, idade, índice de massa corporal e relação cintura-quadril.

Tanto o grupo que fez JDA durante seis meses como o grupo que seguiu este método durante um mês alternaram entre 36 horas sem comer e 12 horas em que poderiam comer o que quisessem. Nenhum efeito adverso foi observado entre os participantes do grupo que realizam JDS. A ingestão de calorias caiu 37,4%, em média, em comparação com 8,2% no grupo de controlo.

Mais surpreendente foram os resultados positivos ao nível do risco cardiovascular, colesterol e envelhecimento.

“[Encontrámos] um número de alterações associadas à redução do risco cardiovascular e envelhecimento, incluindo a redução de marcadores inflamatórios, como sICAM-1, pressão arterial sistólica, níveis de colesterol LDL, ácidos gordos de cadeia curta e triiodotironina; aumento de ácidos gordos polinsaturados; e regulação negativa de aminoácidos potenciadores do envelhecimento, como a metionina”, resumiu o professor da Universidade de Medicina de Graz (na Áustria) Harald Sourij, co-autor do estudo.

Estes resultados sugerem, dizem os investigadores, que este método é mais seguro que a simples restrição calórica (RC). “A RC foi associada a preocupações sobre o metabolismo ósseo ou a função das células imunes. Nem no nosso estudo de curto prazo nem no de 6 meses da JDA observámos efeitos adversos na massa óssea, contagem total de glóbulos brancos ou abundância  de células imunológicas, contagens de glóbulos vermelhos ou metabolismo do ferro”, disse Sourij ao Medscape Medical News.

O estudo não comparou o JDA ao jejum intermitente. “Perder 7 quilos em quatro semanas é uma forte perda de peso que provavelmente não será alcançado por períodos mais curtos de jejum”, disse Frank Madeo, também co-autor do estudo.

De acordo com os investigadores, a eficiência de método na perda de peso pode estar associada ao facto de o organismo humano estar habituado a longos períodos de jejum seguidos de excessos alimentares, uma vez que, nos primórdios da espécie humana, a comida era escassa e consumida sempre que possível, seguindo-se períodos de fome prolongados.

A equipa de investigadores alerta, no entanto, que não são conhecidos os efeitos a longo prazo do jejum em dias alternados, pelo que este método deve ser feito sempre com aconselhamento médico.

TC/SO

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