É uma das especialistas em que a carência se profissionais se sente com mais intensidade. A falta de ortopedistas é um fenómeno com que se deparam várias zonas do país e, em especial, o Algarve. Num altura em que a população desta região triplica – de 600 mil para 1,5 milhões de pessoas -, “não são raras as vezes que apenas houve um ortopedista” escalado em Faro, denuncia o Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Em comunicado, o SIM avisa que esta situação coloca “obviamente em risco uma assistência de qualidade e em segurança às populações”. Segundo a Ordem dos Médicos, deveriam estar, em permanência, no hospital de Faro (a unidade de saúde de referência para a região) pelo menos três especialistas. Número que pode subir até cinco, tendo em conta que o hospital realiza mais de 400 atendimentos urgentes por dia e dispõe de Ortopedia Infantil.

Em Portimão, a situação ainda é mais grave. Segundo o SIM, “em mais de metade do mês e por vários meses ou até anos, Portimão não tem tido ortopedia”, o que obriga a desviar os doentes para o Hospital de Faro, que, perante a falta de especialistas, fica sobrecarregado.

“Tudo isto, de tão frequente passou a habitual e de habitual tornou-se normal e de tão normal já ninguém estranha. As anormalidades afinal também se entranham”, refere o sindicato liderado por Jorge Roque da Cunha, acrescentando que a região do Algarve atingiu um nível de desinvestimento “impensável”.

Contactada pelo SaúdeOnline, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve remeteu explicações para o Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, que se mantém em silêncio.

TC/SO

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