Foram mais de 10 os medicamentos que faltaram nas farmácias durante o mês de julho, deixando vários milhares de doentes sem alternativas terapêuticas, adianta o jornal Correio da Manhã.

Os doentes mais afetados são os que sofrem de doenças como Parkinson, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), asma, diabetes e epilepsia. Perante a rutura dos stocks nas farmácias, muitos veem-se obrigados a interromper o tratamento.

Há situações críticas, que preocupam a Associação Nacional de Farmácias (ANF). Um exemplo disso é o Adalat, um medicamento usado para a hipertensão e que está esgotado há mais de um ano. O problema é que o genérico correspondente, a Nifedipina, está também esgotado há vários meses em muitas farmácias.

Já um anticoagulante oral muito utilizado, o rivaroxabano (comercializado sob o nome Xarelto) não está disponível em cerca de 70% das farmácias, segundo adianta Rui Nogueira, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. O médico admite que existem outras alternativas terapêuticas mas que o fármaco em causa é muito eficaz na prevenção de Acidentes Vasculares Cerebrais.

Também em falta em mais de 70% das farmácias está o Sinemet, um fármaco usado no tratamento dos sintomas da Doença de Parkinson. Já o Mysoline tem cerca de 67 mil embalagens em indisponibilidade (embalagens pedidas mas não dispensadas) e já entrou em rutura em 62% dos estabelecimentos. Também neste caso deste fármaco (usado para controlar convulsões epiléticas) os doentes ficam sem nenhuma alternativa terapêutica.

A ANF admite que uma das causas destas ruturas é o facto de uma mesma fábrica produzir o mesmo medicamento para várias farmacêuticas, o que torna toda a cadeia de comercialização demasiado exposta a um eventual problema numa das fábricas. Em 2018, faltaram mais de 64 milhões de medicamentos nas farmácias, o que obrigou mais de 370 mil pessoas a interromperem o tratamento. Este ano, a situação tende a agravar-se.

TC/SO

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