Ainda não há dados finais mas a estimativa da Associação de Médicos pela Formação Especializada (AMPFE) augura o pior cenário. Este ano, o número de médicos que não irá conseguir aceder à formação especializada deverá ascender a 1200 (avança o Jornal de Notícias). Este valor é o mais alto de sempre, confirmando o crescimento do contingente de médicos “indiferenciados”, que se regista há vários anos.

O número de candidatos sem vaga para especialidade foi de 114 em 2015; subiu para 578 em 2016 e para 720 em 2017. Em 2018, ultrapassou a barreira dos mil médicos e, este ano, a tendência de subida deve manter-se, ficando a faltar cerca de 1200 vagas.

Apesar de o número de lugares disponíveis em hospitais e centros de saúde até ter aumentado (de 1649 para 1700), a verdade é que o défice de vagas se vai tornar a agravar devido ao aumento do número de alunos que conclui os cursos de medicina e de outros profissionais que, não tendo conseguido ingressar na especialidade em anos anteriores, optam por repetir a Prova Nacional de Acesso.

A confirmar-se este cenário, o contingente de médicos sem especialidade engrossa para cerca de 3500 profissionais. A estes jovens médicos resta trabalhar em regime de prestação de serviços, repetir a Prova de Acesso ou emigrar.

A AMPFE acusa o Ministério da Saúde de não se ter empenhado na resolução do problema. “Um médico sem especialidade não substitui as carências do SNS”, alerta Constança Carvalho, presidente da AMPFE. A associação propõe mudanças estruturais, entre as quais o alargamento do internato de um para dois anos, um melhor planeamento da formação e a abertura de um concurso extraordinário que permita a inclusão de todos os excluídos da especialidade. O concurso está previsto no Orçamento de Estado para este ano mas a AMPFE teme que venha, como já aconteceu, a retirar vagas aos concursos regulares.

TC/SO

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