Uma equipa de investigadores do Laboratório de Microbiologia e Imunologia da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa realizou um estudo, liderado pela professora Manuela Oliveira, no qual foi possível descobrir que a introdução de um biogel com uma proteína antimicrobiana nas terapêuticas atuais para o tratamento do Pé Diabético pode ajudar a diminuir a ocorrência de infeções resistentes a antibióticos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem atualmente cerca de 440 milhões de adultos com Diabetes Mellitus, dos quais cerca de 26 milhões têm úlceras de pé diabético, que podem ser infetadas com bactérias patogénicas resistentes a antibióticos e tornarem-se crónicas, obrigando à amputação dos membros inferiores em 1 por cada 5 casos registados. No caso de se verificar uma infeção na úlcera do pé diabético, existe mais 155 vezes de probabilidade de ter se proceder à amputação e consequente hospitalização do paciente do que naqueles que não desenvolvem a infeção. Além disso, estas úlceras apresentam, a longo prazo, taxas de recorrência de cerca de 70%, o que resulta em intervenções cirúrgicas frequentes e na morte de um em cada seis doentes um ano após a primeira infeção. É, portanto, premente o desenvolvimento de novos e mais eficazes tratamentos.

O estudo desenvolvido pela equipa de investigadores portugueses conclui que os péptidos antimicrobianos, proteínas produzidas pela maioria dos seres vivos e que fazem parte do seu sistema imunitário, apresentam várias vantagens em relação aos antibióticos convencionais, sendo capazes de eliminar um grande espectro de microrganismos e de raramente estarem associados ao desenvolvimento de bactérias resistentes a estes compostos.

A investigação, publicada na revista científica Plos One, é o primeiro passo para a redução dos impactos de uma situação grave e que afeta mais de 3,1 milhões de portugueses.

Erica Quaresma