Qual é a importância da vitamina D para o organismo?

Ao longo das últimas décadas, tornou-se cada vez mais claro que os efeitos da vitamina D não se limitam à manutenção da homeostase do cálcio e fósforo. De facto, esta hormona regula múltiplos processos celulares com efeitos no crescimento e diferenciação de células normais e malignas, na modulação do sistema imunológico, na função cardiovascular e no metabolismo glucídico.

Os portugueses têm níveis aceitáveis desta vitamina?

A principal fonte de vitamina D provém da formação cutânea, por ação dos raios ultravioleta B, a partir do 7-dehidrocolesterol existente na pele dos indivíduos. Apesar do nosso País ser solarengo, a realidade é que uma faixa significativa da população nacional apresenta défice de vitamina D. Nos últimos anos foram apresentados estudos que apontavam para que o défice de vitamina D estivesse presente em 20 a 40% da população portuguesa. Contudo, no ano passado foi apresentado um outro estudo que demonstrava que aquele défice estava presente em mais de 60% dos portugueses.

Apesar de Portugal ser um ‘país de sol’, muitos portugueses têm falta de vitamina D. Como se explica?

As campanhas de combate aos efeitos nocivos de uma exposição exagerada ao sol, nomeadamente o risco de cancro cutâneo, têm levado a que muitas pessoas não tenham qualquer tipo de exposição. Por outro lado, o envelhecimento progressivo da população e a prevalência crescente da obesidade e pré-obesidade na sociedade portuguesa, fatores de risco para hipovitaminose D, agravam esse quadro de pandemia de défice de vitamina D.

Sendo assim, podemos dizer que quanto mais exposição solar, maior a quantidade de vitamina D?

Não. É assumido que a exposição solar de braços e pernas durante um período de 20 minutos diários é suficiente para que sejam atingidos os níveis adequados de vitamina D. Uma vez que esses níveis sejam atingidos não adianta prolongar a exposição ao sol uma vez que não funciona o conceito de armazenamento de vitamina D, ou seja, uma exposição prolongada durante um ou vários dias não compensa a falta de exposição nos dias, semanas ou meses subsequentes.

Que grupos são vulneráveis ao défice de vitamina D?

Os principais grupos de risco para desenvolvimento de défice de vitamina D são as crianças, os idosos, as grávidas, as pessoas melanodérmicas, os obesos e os doentes que efetuam alguns tipos de fármacos, nomeadamente, corticoterapia em altas doses, fármacos anticonvulsivantes, antifúngicos ou antirretrovirais.

Quais as consequências, para os adultos, de falta de vitamina D?

Face aos níveis reduzidos de vitamina D, existe um compromisso na absorção intestinal do cálcio alimentar. Para que não ocorra hipocalcemia, com todas as múltiplas consequências nefastas de tal condição, o organismo procura manter a eucalcemia através da mobilização de cálcio a partir das maiores reservas que o organismo humano possui: o osso. Para tal, ocorre aumento da síntese de paratormona (PTH) pelas glândulas paratiroideias a qual, por ação sobre os osteoclastos, promove a mobilização do cálcio dos ossos para a corrente sanguínea.

Assumindo o papel da vitamina D, entre outros, na proteção cardiovascular e na modulação do sistema imunológico, o défice de vitamina D induziria aumento do risco cardiovascular e quebra da homeostasia a nível imunológico (com aumento do risco de desenvolvimento de várias doenças imunomediadas).

Qual a dose recomendada?

Considera-se que existe défice de vitamina D quando os níveis de 25-hidroxivitamina D sejam inferiores a 20 ng/mL (ou 50mmol/L) e considera-se que os níveis de 25-hidroxivitamina D são suficientes quando se encontram acima de 30 ng/mL.

Quando se pretende prevenir o défice de vitamina D, em grupos populacionais de risco, as doses recomendadas para administração de vitamina D são:

  1. crianças até 1 ano de vida » 400 UI/dia;
  2. crianças acima de 1 ano » 600 UI/dia;
  3. adultos até aos 70 anos de idade » 600 a 2.000 UI/dia;
  4. adultos acima dos 70 anos de idade » 800 a 2.000 UI/dia;
  5. mulheres grávidas » 600 a 2.000 UI/dia;
  6. nos doentes obesos ou nos doentes que efetuem quaisquer das classes farmacológicas indutoras de risco de hipovitaminose D (mencionadas atrás), crianças e adultos deverão efetuar 2 a 3 vezes as doses recomendadas para os outros indivíduos da mesma idade.

Face à presença de défice de vitamina D, as recomendações apontam para que se administre doses de vitamina D bem mais elevadas por forma a que o nível de suficiência (30 ng/mL) seja atingido.

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