Apesar da reserva em declarar a situação “emergência global de saúde pública” devido ao número de casos de Ébola na República Democrática do Congo (RD Congo) por recear uma afetação na transação de bens, e comercialização de comércio e de pessoas nas regiões afetadas da África Central, acabou por se confirmar os rumores e a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez a tão temida (e, simultaneamente, previsível) declaração. No entanto, ainda que o tenha feito, a OMS afirma que as frontreiras da RD Congo não devem ser encerradas, uma vez que o risco de contaminação “não é muito alto”.

O alerta surgiu após ter sido detetado, esta semana, o primeiro caso em Goma, cidade congolesa cujo número de habitantes excede um milhão.

“É altura de o mundo prestar atenção”, afirmou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom ​Ghebreyesus, numa conferência de imprensa realizada em Genebra, na Suíça.

Até ao momento, o vírus vitimou mais de 1600 pessoas.

Já em junho deste ano, o Comité de Emergência da OMS foi chamado a decidir se classificava a situação como tal, após a propagação do vírus para o país vizinho Uganda, contudo não o fizeram porque não consideravam estarem cumpridos os critérios necessários para que tal acontecesse – os três casos pertenciam à mesma família e tinham trazido o vírus da RD Congo. Já em abril haviam usado o mesmo argumento quando foi convocada uma outra sessão a fim de decidir se declaravam estado de emergência internacional ou não.

Esta é a quinta vez que é declarada a emergência global de saúde por este órgão das Nações Unidas. A última aconteceu entre 2014 e 2016, quando o vírus da Ébola, vimitizou mais de 11 mil pessoas na região oeste de África.

O alerta desta quarta-feira foi bem recebido pela Federação Internacional da Cruz Vermelha. “Enquanto a realidade para as vítimas e autoridades no terreno não muda, esperamos que [a invocação da medida] traga a atenção internacional que esta crise requer”, declarou a Cruz Vermelha num comunicado citado pela BBC.

Doze novos casos por dia

 

A epidemia que teve início em agosto do ano passado foi já considerada a segunda maior da história, tendo afetado sobretudo a províncias de Ituri e Norte de Kivo, nas quais se contabilizam mais de 2500 infetadas, tendo dois terços delas morrido. Existem registos que indicam 12 novos casos de ébola por dia.

 

Vacina tem sido administrada e tem 99% de eficácia

 

Existe uma vacina contra o vírus do ébola cuja eficácia ronda os 99% e que já foi, inclusive, ministrada a cerca de 161 mil pessoas na região. No entanto, só os que já foram infetados ou estiveram em contacto com pessoas infetadas é que estão vacinados. A vacina está disponível desde o início deste novo surto.

 

 

Erica Quaresma

 

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