“Temos que estar preparados porque somos um país ao lado da RDCongo e por continuidade junto da emigração das pessoas também devem estar alertas, é necessário prestar atenção para que não se registem casos de contaminação”, disse hoje à Lusa, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Angola, Hernando Agudelo.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou na quarta-feira o estado de Emergência Internacional na República Democrática do Congo (RDCongo) depois da reunião do Comité de Emergência para avaliar a evolução da epidemia do Ébola já provocou 1.676 mortos, registando 12 novos casos a cada dia.

A notícia foi divulgada através da conta de Twitter da organização e aponta as preocupações com a expansão geográfica da doença como fundamento para esta decisão.

“É altura de a comunidade internacional se solidarizar com o povo da RDCongo, não de impor medidas punitivas e restrições contraproducentes que só servirão para isolar” o país, afirmou Tedros, após a reunião do Comité de Emergência na qual foi declarada a Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPI).

Segundo Hernando Agudelo, o Governo de Angola, que partilha uma extensa fronteira com a RDCongo, tem já elaborado um Plano Nacional de Contingência onde se identificaram os diferentes pilares de uma resposta eventual ao surto.

“O Governo (angolano) está preparado, agora há algumas ações que ainda têm de ser feitas e estamos a trabalhar no sentido”, frisou, referindo que a organização apoia as autoridades angolanas com “treinamentos para reconhecer a doença”.

“Foi feito um treinamento a nível das províncias fronteiriças com a RDCongo para, primeiro estarem em alerta para que não se passe um caso de ébola sem darem conta e outras ações”, explicou.

Tedros acrescentou que as restrições de viagens ou comerciais “não servirão qualquer propósito útil”, destacando que já foram feitos 75 milhões de despistes do Ébola em cruzamentos fronteiriços.

“A OMS não recomenda restrições a viagens ou comércio, que, em vez de travarem o Ébola, poderão dificultar o combate à doença”, forçando as pessoas a recorrerem a atravessamentos de fronteira informais e não controlados, aumentando o potencial da doença para se espalhar, reforçou o líder da OMS.

A avaliação da OMS indica que o risco de a epidemia continuar a espalhar-se na RDCongo e na região “permanece muito alto”, mas o risco de se expandir para fora dessa região “permanece baixo”, continuou Tedros.

“Embora não existam evidências de transmissão local de Ébola em Goma, RDCongo ou no Uganda, estes dois episódios significam uma preocupação crescente com a expansão geográfico do vírus”, disse o responsável da OMS, referindo-se aos casos mais recentes: um sacerdote em Goma e uma mulher que foi para o Uganda.

Para Hernando Agudelo, a vasta fronteira que Angola partilha com a RDCongo “é motivo de alerta”, mas, observa, que o problema está a uma distância de quase 2.000 quilómetros e que o contacto com a pessoa contaminada é a principal via de contágio do ébola.

O Comité de Emergência enfatizou, por outro lado, a importância do “apoio continuado da OMS e outros parceiros nacionais e internacionais” na RDCongo para a “implementação efetiva e monitorização das recomendações da resposta ao Ébola”.

Esta foi a quarta reunião deste órgão científico desde que foi declarado o surto, a 01 de agosto de 2018.

A decisão de quarta-feira foi tomada depois de se confirmar que a doença já tinha chegado a Goma, a cidade mais povoada, com dois milhões de pessoas, e também a mais estratégica de todas as afetadas até agora, localizada a 20 quilómetros da fronteira com o Ruanda, o que aumenta o risco de uma propagação da epidemia.

SO/Lusa

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