As investigadoras Paola Bovolenta e Pilar Esteve comprovaram que os pacientes com Alzheimer tinham uma proteína denominada SFRP1 cujos níveis se encontravam “anormalmente elevados” e continuavam a aumentar à medida que a doença avançava. A investigadora italiana Paola Bovolenta explicou que os níveis daquela proteína são muito elevados nestes doentes e que a neutralização das suas funções pode ser determinante para deter a progressão da doença. Assim sendo, fizeram experiências nas quais inativavam essa proteína e concluíram que a progressão da doença diminuiu.

Apesar da investigadora Paola Bovolenta declarar que as experiências e os testes foram realizados em ratos, afirma que, ainda assim, existe esperança que, no futuro, seja aplicável aos pacientes com Alzheimer, sublinhando, contudo, que o caminho até à prática clínica é ainda “muito longo”.

“As experiências e os testes que realizámos em ratos nem sempre funcionam da mesma forma nos humanos, mas temos uma base muito boa”, constatou a cientista.

O Alzheimer é uma doença na qual se verifica a perda progressiva e irreversível das capacidades cognitivas dos doentes e o seu tratamento, segundo as cientistas que lideraram a investigação, precisa de um novo e alternativo enfoque. Tendo uma origem baseada em vários fatores, a cientista diz que se deve apostar na atuação em mais de um dos processos que se encontra patologicamente alterados na doença.

“A proteína SFRP1 é precisamente um desses fatores que atuam em múltiplos processos que estão relacionados com o Alzheimer”, disse.

Já a investigadora Pilar Esteve explicou que os resultados da investigação “representam uma inovação no combate à doença do Alzheimer”.

“Acreditamos que a medição dos níveis desta proteína no líquido cefalorraquidiano ou soro pode-se tornar um marcador de diagnóstico útil no futuro”, afirmou a investigadora em comunicado de imprensa.

A investigação demonstrou que a proteína aumenta significativamente no cérebro e no fluido cerebrospinal dos doentes com esta enfermidade, tendo por isso utilizado amostras de fluidos dos pacientes – desde os que foram diagnosticados na fase inicial da doença aos que já apresentavam sintomas de estágios mais avançados -. Além disso, utilizaram também amostras do tecido cerebral de cadáver.

Os resultados demonstraram que o aumento da SFRP1 nos ratos provocava uma alteração dos neurónios e que a neutralização das suas funções, ou seja, a inibição desta proteína, previne a perda de memória e o défice cognitivo (características comuns à população que sofre de Alzheimer).

O passo seguinte previsto pelos investigadores é realizar um estudo para analisar se os níveis desta proteína no sangue podem servir para prevenir a doença antes que se manifestem os primeiros sintomas e assim fazer um diagnóstico precoce.

O projeto, cujas conclusões foram publicadas na revista Nature Neuroscience, foi desenvolvido no Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa, da Universidade Autónoma de Madrid (Espanha), e contou com o financiamento da Fundação Tatiana Perez de Guzman el Bueno.

Erica Quaresma (com Lusa)

Veja também:

ler mais