O tema foi abordado pelo deputado Moisés Ferreira numa conferência de imprensa junto ao Hospital de Espinho, que é tutelado pelo mesmo centro hospitalar que gere as unidades de Gaia do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Doze anos passados sobre o encerramento da Urgência de Espinho, está mais do que visto que isso foi um erro absoluto e só veio obrigar as pessoas a deslocarem-se por vários quilómetros até outros hospitais, pelo que até os casos menos graves estão a congestionar as urgências de Gaia”, declarou o parlamentar eleito pelo círculo de Aveiro.

Embora com a abstenção de PS, PSD e CDS, o projeto de resolução do BE apelando à reabertura da urgência de Espinho foi aprovado em janeiro de 2018 pelos partidos BE, PCP, PEV e PAN, e “agora é preciso que o Governo aplique a decisão tomada pela Assembleia da República, que é válida e tem que ser implementada”.

O BE realça ainda que o Orçamento de Estado para 2019 também previa o lançamento da última fase da requalificação do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho e que essa obra “também está atrasada”.

Moisés Ferreira defende que a intervenção é urgente porque, para além de melhorar o funcionamento das unidades de Gaia, “também dará a Espinho melhores condições no acesso a serviços diferenciados”.

Propondo-se questionar o Governo sobre esses atrasos, o deputado disse que “o BE pautou o seu último mandato pela luta pelo reforço do SNS” e irá agora “reforçar essa pressão para que se note realmente uma mudança em Espinho”.

O concelho de Espinho tem mais de 30.000 habitantes residentes e uma população móvel significativamente maior durante os meses de verão. Estava dotado de um Serviço de Urgência Básica até 2007, mas desde então os casos urgentes são encaminhados para o Hospital de Gaia, que é a unidade de referência para Espinho, ou para o Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, o hospital mais próximo e ao qual é possível chegar de forma rápida.

O Governo procurou compensar o fecho da Urgência afetando a Espinho uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), mas o BE diz que essa tem visto o seu horário de atividade reduzido e também já esteve sob ameaça de encerramento devido à falta de profissionais.

“As instalações para o funcionamento de um serviço de urgência básico já existem no hospital de Espinho, bastando contratar os profissionais necessários, o que implica a autorização do Estado”, realça o BE.

A resolução do Parlamento recomendando ao Governo a reabertura da Urgência de Espinho foi publicada em Diário da República a 04 de abril de 2018.

No mesmo jornal foi publicada a resolução que, tendo partido do PSD e sido aprovada com o voto do CDS e PAN, também reconhece que o fecho da Urgência em 2007 foi um erro, mas recomenda apenas a criação no hospital de um Serviço de Atendimento Permanente (SAP) e “a relocalização do pórtico da autoestrada A29,como forma de garantir igualdade no acesso de toda a população de Espinho a cuidados de saúde básicos” no hospital de Gaia.

SO/Lusa

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