À entrada, um contacto inesperado com Portugal. Um português, de Alfandega da Fé, há vários anos a trabalhar em Espanha,  tinha acabado de completar o seu turno e dá-nos as boas-vindas. É um dos cerca de 600 trabalhadores da fábrica, uma das maiores da Europa e que, por si só, garante a produção de metade dos medicamentos respiratórias da GSK a nível mundial.

São aerossóis e inaladores, agora produzidos a partir de fórmulas muito mais desenvolvidas do que o salbutamol – o primeiro produto contra a asma, que marcou o início do compromisso da empresa com os doentes respiratórios.

Armazém de Grande Altura, totalmente automatizado

Para visitarmos a zona contígua àquela onde se produzem e manuseiam as substâncias que estão na base dos medicamentos, há que vestir equipamento de proteção, para evitar contaminações vindas do exterior. A segurança de trabalhadores e medicamentos está acima de qualquer outra preocupação. Aqui não se correm riscos. Muitas das tarefas na área do armazenamento já são feitas por robots, de modo a evitar acidentes e aumentar a eficiência da operação. A circulação dos próprios trabalhadores não é totalmente livre. Com robots e máquinas (ainda) operadas por humanos a passarem, há zonas em que foram instalados semáforos e outras em que a passagem está condicionada a linhas marcadas no chão. O armazém em que são guardados os produtos prontos para serem transportados é totalmente automatizado e permite gerir mais de 300 mil movimentos anuais.

Os números impressionam. Localizada a meio caminho entre Madrid e Santander, a fábrica de Aranda de Duero produz mais de 179 milhões de unidades de medicamentos por ano, sendo que 95% destes são destinados à exportação. Uma grande parte desta produção representa fármacos da área respiratória que, todos os dias, ajudam centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Só as duas doenças respiratórias mais prevalentes, a asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica afetam, mais de 700 milhões de pessoas (339 e 384 milhões, respetivamente).

A diretora-médica da GSK Portugal, Rosana Cajal, é espanhola e divide o seu tempo entre os dois países. “Os medicamentos da GSK têm revolucionado a forma como [os doentes] são tratados. Do salbutamol ao mepolizumab – um tratamento biológico para as pessoas com Asma Eosinofílica Grave – até à única terapêutica tripla para DPOC de inalação única diária, em apenas um dispositivo”, sublinha.

Ismael de los Mozos, diretor da fábrica de Aranda de Duero, e Rosana Cajal, diretora médica da GSK Portugal.

A inovação é uma prioridade para a empresa. Com a prevalência de patologias respiratórias a aumentar em todo o mundo, a GSK investiu mais de 240 milhões de libras por ano (nos últimos três anos) em investigação e desenvolvimento. O resultado é um dos maiores porttfólios de medicamentos respiratórios de toda a indústria. Aos produtos mais antigos, e que continuam a manter níveis de aceitação elevados entre médicos e doentes, vieram juntar-se outros, mais eficazes e/ou combinados, que permitem facilitar a vida aos doentes e melhorar a adesão à terapêutica, através, por exemplo, da diminuição do número de inalações.

Para além da produção e armazenamento de produtos para a área respiratória, da fábrica de Aranda de Duero (sim, o rio Douro passa por aqui, pouco depois de nascer, na Serra de Urbión) saem também produtos da área de Consumer HealthCare (como pastas de dentes e outros produtos de higiene). A partir deste mês, vai começar a ser produzido também um fármaco para o VIH.

TC/SO

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