A infeção por citomegalovírus primário (CMV) no primeiro trimestre da gravidez aumenta o risco de perda auditiva neurossensorial em crianças, dizem uma equipa de investigadores belgas.

“Este estudo destaca a vulnerabilidade no primeiro trimestre da gravidez no caso de uma infeção por CMV”, disse Ina Foulon, da Universitair Ziekenhuis Brussel, na Bélgica, à Reuters Health.

A médica, especialista em otorrinolaringologia, e a sua equipa avaliaram a incidência e os fatores de risco de perda auditiva neurossensorial (PANS) em 157 crianças com CMV congénito (adquirido da mãe), num estudo prospectivo de 22 anos que incluiu a triagem de vírus (saliva ou urina CMV) cinco dias após o nascimento.

Os resultados indicam que vinte crianças (12,7%) tinham perda auditiva e nove (5,7%) necessitaram de amplificação auditiva. Aqueles com uma infeção sintomática tiveram um risco maior de desenvolver perda de audição neurossensorial (44,4%) em comparação com uma infeção assintomática (11%).

“Uma característica muito específica em crianças com infeção por CMV congénito é a presença de perda auditiva de início tardio”, disse o Dra. Ina Foulon. “Em 4,5% das crianças com um teste de audição normal no nascimento, a perda auditiva ainda se pode desenvolver ao longo do tempo”, explica.

Já as crianças que tiveram uma infeção pelo CMV após o primeiro trimestre da gravidez não desenvolveram perda auditiva.

“Medidas preventivas para evitar a infeção por CMV durante a gravidez devem ser implementadas, pelo menos, durante o primeiro trimestre”, referiu a especialista. “Reforçar o comportamento que reduz a exposição à saliva ou urina de uma criança, não compartilhar comida e evitar contacto íntimo com crianças pequenas (beijar na boca) são as principais medidas preventivas”. Isto porque, ressalva, a “infeção com CMV durante a gravidez não é inevitável”.

TC/SO

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