O investigador principal, Patrice D. Cani, do Louvain Drug Research Institute, na Universidade Católica de Louvain (Bruxelas), disse que “o principal objetivo do nosso estudo foi demonstrar a viabilidade da ingestão diária da bactéria durante três meses, sem acarretar riscos para a saúde e observámos uma ótima adesão (os suplementos foram fáceis de ingerir) e tolerabilidade (não houve efeitos secundários) nos grupos que tomaram as bactérias vivas ou pasteurizadas”.

Num estudo publicado anteriormente na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, Patrice Cani e a restante equipa de investigação mostraram que a Akkermansia viva diminuiu o aumento de peso e o ganho de massa gorda em ratos alimentados com dieta rica em gordura, melhorando assim a sua barreira intestinal.

Para obter estas conclusões, os cientistas avaliaram a viabilidade, a segurança e a tolerabilidade da suplementação da bactéria (durante um período de três meses), analisando posteriormente os efeitos metabólicos produzidos em 40 voluntários com excesso de peso ou obesos e resistentes à insulina.

Ao fim do terceiro mês, o grupo placebo apresentou aumentos significantes de insulina plasmática em jejum, enquanto a amostra que recebeu a bactéria viva ou pasteurizada apresentou reduções aproximadas de 30% nos níveis plasmáticos de insulina, comparativamente com o grupo placebo, apesar do efeito ter sido, de acordo com as estatísticas apresentadas, mais significativo com as bactérias pasteurizadas.

De acordo com o relatório online da revista científica Nature Medicine, ambas as bactérias melhoraram significativamente a sensibilidade à insulina em cerca de 30%.

Já no que diz respeito à bactéria pasteurizada, esta resultou numa diminuição substancial dos níveis de colesterol total e das enzimas hepáticas GGT e AST (mas não ALT). Além disso, a suplementação da bactéria pasteurizada foi ainda associada a diminuição não significativas no peso corporal, massa gorda e circunferência do quadril, comparativamente com a suplementação do grupo placebo.

A suplementação aumentou significativamente a quantidade de A. muciniphila recuperada nas fezes dos grupos pasteurizados e vivos sem alterar a composição da microbiota a partir da linha de base.

“É fundamental levar a mensagem de que esta descoberta é um estudo piloto”, disse Dr. Cani. “Precisamos replicar isto numa amostra maior e, mais importante ainda, a primeira e principal opção que temos nas mãos para melhorar a saúde continua ser adotar hábitos alimentares e atividades físicas rigorosas; por outras palavras, acho que esta descoberta será útil se for utilizada em conjunto com a dieta clássica (como é recomendável), mas não irá substituí-los. “

“A bactéria ainda não está comercialmente disponível. Espera-se que esteja no final de 2020/início de 2021”, declarou.

EQ

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