Estando o verão a apenas três dias de distância, e tendo já Portugal sentido os fortes efeitos do Sol e de temperaturas elevadas, a Saúde Online entrevistou o Dr. Viriato Horta sobre o papel da Vitamina D no corpo do indivíduo, aquela que muitos conhecem como “a vitamina do Sol”. No entanto, não é apenas através desta estrela que os níveis vitamínicos sobem ou se mantêm estáveis.

Saúde Online (SO) – Qual a importância da vitamina D para nós?

Viriato Horta (VH) – A vitamina D mais do que uma vitamina é uma hormona com imensas ações no nosso corpo (mais de 200). Isto quer dizer que, desde o metabolismo do cálcio até à imunidade, à defesa contra infeções, resistência contra o cancro, regulação da produção de insulina, regulação da obesidade são algumas das ações reguladas por esta vitamina.

Quer dizer, são tantas as ações em tantas áreas que nos regulam o organismo praticamente todo, ou melhor, contribuem para a regulação através do metabolismo do cálcio e do fósforo.

SO – Quais os sintomas que podem indicar défice na vitamina D presente no nosso corpo?

VH – Existem dois níveis de deficiência de vitamina D. A grande deficiência de Vitamina D tem a ver com descidas acentuadas do cálcio no sangue designado de tetania hipo calcélmica, que são contrações musculares, paralesias e faltas de sensibilidade.

Depois há a deficiência ligeira, que pode dar queixas muito pouco específicas, como cansaço, falta de força, por vezes umas tonturas, tremores ou queixas que levam o doente a referir que algo se passa e não se sente bem.

O baixo nível vitamínico não é algo observável “a olho nu”, visto não haver evidências que nos indiquem que os sintomas derivem desta deficiência. Normalmente, os médicos tendem a justificar os sintomas com outros quadros clínicos que não este, mas [os sintomas] podem, de facto, serem originários de uma deficiência da vitamina D, por causa de um cálcio num músculo, do cálcio num nervo, do cálcio nos ossos.

Posteriormente, quem tem deficiência de vitamina D pode nunca ver o efeito desta diminuição, uma vez que, a longo prazo, são pessoas que têm uma maior probabilidade de vir a ter doenças autoimunes, doenças infeciosas e de outras tantas patologias, como por exemplo depressão, ansiedade, esquizofrenia nos jovens ou Diabetes Tipo 1 nas crianças.

Nas primeiras manifestações deste défice, nem sempre é fácil o diagnóstico, mas, a longo prazo, os sintomas tornam-se evidentes. Não é um quadro que digamos ser característico da deficiência da vitamina D, como é o caso da Tetaina Hipo calcémica, Raquitismo nas crianças e, no adulto, Osteomalacia. No entanto, estes casos manifestam-se no extremo do défice de vitamina D.

Quando existem níveis baixos de vitamina D, se se dosear o paciente vai melhorar e vai notar que melhorou – isto passado uns meses.

Dr. Viriato Horta

SO – Com a suplementação, portanto.

VH – Exatamente, com a suplementação. É muito difícil aumentar os valores da vitamina D sem se recorrer à suplementação. Só através da alimentação é muito difícil, porque para ter 1500 unidades de vitamina D por dia na alimentação tem que se comer um quilo de peixe gordo, outras tantas dezenas de ovos, bem como beber inúmeros litros de leite. [Isto porque] A quantidade de vitamina D nos alimentos é pequena.

Antigamente, suplementava-se de uma forma bastante simples: com óleo de fígado de bacalhau. Mas este não é um alimento, é um produto industrializado feito a partir do fígado de bacalhau e do óleo, sendo, no fundo, um suplemento [natural], que equivale ao mesmo que os suplementos atuais [adquiridos nas farmácias].

SO – Relativamente ao facto de Portugal ser um país com muito Sol, há muita gente que acredita que a Vitamina D obtida através do Sol.

VH – E é [só que em proporções distintas] – 80% através do Sol e 20% através da alimentação. No entanto, cada vez mais se verifica que existe um aumento da tendência para a população andar tapada e “coberta” de protetor solar. Portanto, o Sol deixou de ser um “Sol útil” para produzir [a vitamina].

SO – Existem várias teorias que indicam que basta 15 a 20 minutos de exposição solar a qualquer hora do dia para termos a quantidade de vitamina D suficiente, para que o corpo funcione corretamente sem que haja défice da vitamina supra mencionada.

Quanto tempo e em que período horário ou condições precisamos, afinal, para que seja produzida a quantidade suficiente desta vitamina?

VH – Se tivéssemos que fazer as contas a tudo o que precisávamos para produzir a as tais 1500 unidades/dia de vitamina D, tínhamos de estar expostos ao Sol desde abril a outubro – seis meses seguidos –, durante pelo menos durante 15 a 20 minutos por dia, quando o Sol está alto, ou seja, nas horas de maior calor (quando o Sol está a mais de 45º de altura). O Sol baixo, o Sol de inverno, com nuvens e acompanhado de poluição não produz os efeitos desejáveis.

No país em que a latitude é de cerca de 30º a Norte [Portugal], é difícil conseguir um “Sol útil” todo o ano. Só no Brasil ou nos Trópicos é que se consegue ter Sol o ano inteiro.

Além disso, teríamos que não usar protetor solar para absorver a vitamina na quantidade que o nosso Sol nos “oferece”, mas existe a importância de nos defendermos do cancro da pele, que é também fundamental.

SO – A seu ver, as pessoas ainda demonstram desconhecimento relativamente à vitamina D e à sua suplementação?

VH – Vai começando a falar-se no assunto. As pessoas não têm é forma de saber se têm ou não a deficiência vitamínica – a informação e transmissão desse conhecimento é feito por parte do médico, farmacêutico e demais profissionais de saúde.

As pessoas vão estando cada vez mais informadas sobre o assunto. Por isso, agora temos é que lhes dar as ferramentas para que isso se corrija.

Neste processo, o farmacêutico tem um papel muito importante, porque é mais um profissional de saúde que contribui na cadeia de informação das pessoas e que pode aconselhar e orientar nas escolhas do melhor suplemento, até porque existe um vasto leque de opções.

Erica Quaresma

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