A Saúde Online entrevistou a Dra. Maria José Rebocho, cardiologista do Hospital de Santa Cruz e membro do conselho científico da Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca sobre os sintomas, as causas, o possível retrocesso e a prevalência da insuficiência cardíaca.

Saúde Online (SO) – Quais são os sintomas da insuficiência cardíaca?

Dra. Maria José Rebocho (MJR) – Um cansaço excessivo (maior do que o habitual para tarefas rotineiras); falta de ar; inchaço das pernas e nos pés.

So – Esses sintomas aparecem em simultâneo ou podem surgir de forma faseada?

MJR – O primeiro que costuma aparecer é o cansaço mas depende da patologia de base que leva à insuficiência cardíaca. A falta de ar surge já quando a doença está mais avançada.

SO – Quais são as causas desta doença?

MJR – Nos jovens, a causa mais comum são as cardiopatias congénitas. Nas idades mais avançadas, surge frequentemente depois de um enfarte agudo do miocárdio, em que ocorre uma lesão do músculo do coração. A hipertensão arterial de longa duração não-tratada também pode desencadear a insuficiência cardíaca. Há outras causas, mais raras, como as doenças infecciosas.

SO – É possível travar a progressão da insuficiência cardíaca?

MJR – A doença não tem cura mas tem uma evolução completamente diferente (e favorável), com uma boa qualidade de vida, se for detetada atempadamente e com a medicação de que hoje em dia dispomos. Por vezes, são necessários alguns dispositivos cardíacos implantáveis.

Um dos problemas é o doente não aderir à terapêutica farmacológica e não cumprir a medicação. Isso faz com que a doença evolua muito rapidamente. As pessoas desvalorizam muito esta condição, principalmente nos idosos, que pensam que estão mais cansados devido à idade.

SO – Existe alguma estimativa da prevalência desta doença em Portugal?

MJR – Nós temos uma ideia fazendo extrapolações das percentagens em países da Europa. Pode atingir as 400 mil pessoas. O que sabemos de países onde há registos é que a incidência pode variar entre os 2 e os 4% consoante o grupo etário. Nós não temos registos a nível nacional. Agora, em Portugal temos uma população mais envelhecida do que a maior parte dos países da Europa. Portanto, é natural que os casos tenham tendência para aumentar.

Tiago Caeiro

Foto: Esfera das Ideias

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