Hipertensão Arterial: O que todos devemos saber

Fernando Pinto

Fernando Pinto

Médico Cardiologista

Assistente Graduado Sénior de Cardiologia no CHEDV

Membro da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral

Ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão

As Doenças Cérebro-Cardiovasculares (DCCV) – das quais se destacam o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) – são a principal causa de morte e de incapacidade em todo o mundo, particularmente nos países ocidentais. Em Portugal, as DCCV são responsáveis por 1/3 de todas as mortes (aproximadamente 30.000/ano), estimando-se que possam reduzir em 12-14 anos a esperança de vida; para além disso, as DCCV são a principal causa de incapacidade e são responsáveis por um número muito elevado de internamentos hospitalares.

A Hipertensão Arterial (HTA) – isto é pressão arterial maior ou igual a 140/90 mmHg – é o principal fator de risco para o AVC, (que é a principal causa de morte em Portugal: cerca de 2/3 de todas as mortes por DCCV) e um dos mais importantes fatores de risco para EAM (bem como para insuficiência cardíaca, insuficiência renal, doença arterial periférica, etc.). A deteção precoce e o tratamento adequado da HTA podem, comprovadamente, reduzir significativamente o risco de incidência de DCCV, e, consequentemente, reduzir os trágicos números de incapacidade e mortalidade.

Apesar da melhoria significativa verificada nos últimos 10-15 anos, cerca de 42% dos adultos em Portugal tem HTA, mas quase 1/4 desconhece a doença e cerca de 1/4 dos hipertensos não estão a tomar medicação, contribuindo para que menos de metade dos doentes com HTA tenha a pressão arterial efetivamente controlada.

Habitualmente, a HTA não provoca sintomas (ou provoca sintomas inespecíficos que podem estar presentes em muitas outras doenças como dores de cabeça, tonturas, cansaço, etc). Assim sendo, a única maneira de detetar a HTA é verificando valores tensionais elevados, através da medição da pressão arterial, pelo que a medição regular da pressão arterial deve ser um hábito a seguir. Todos os adultos devem fazê-lo pelo menos uma vez por ano – seja em rastreios como os realizados no âmbito do Dia Mundial da HTA, seja na consulta médica e/ou de enfermagem, na farmácia, ou mesmo em casa (mediante o uso de um aparelho adequado). Os fumadores, obesos, as pessoas com diabetes ou com história de doença cardiovascular na família têm maior risco de desenvolver HTA, pelo que devem ter particular cuidado em medir regularmente a sua pressão arterial A idade também é outro fator a ter em atenção: em geral, quanto mais idosa for a pessoa, maior a probabilidade de desenvolver HTA.

A adoção de um estilo de vida saudável constitui a melhor forma de prevenir ou controlar a HTA, proporcionando, geralmente, uma descida significativa da pressão arterial: uma alimentação equilibrada – nomeadamente com redução no consumo de sal e de álcool e aumento de vegetais e fruta – acompanhada de exercício físico regular são medidas recomendadas, bem como a perda de peso (no caso dos doentes com excesso de peso ou obesidade) e a cessação tabágica total.

Quando estas medidas são insuficientes, poderá ser necessário recorrer a medicamentos anti-hipertensores (mantendo e/ou reforçando o estilo de vida saudável). No entanto, há que lembrar que os fármacos também não curam a hipertensão; só a controlam, por isso, uma vez iniciado, o tratamento medicamentoso deverá, em princípio, ser mantido prolongadamente (em princípio por toda a vida, salvo indicação em contrário do médico). Hoje em dia, existem muitos fármacos eficazes na redução da pressão arterial, competindo ao médico assistente decidir qual é (ou quais são) o(s) mais apropriado(s) para cada pessoa. Quando criteriosamente utilizada, a terapêutica permite controlar a HTA na esmagadora maioria dos casos.

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