Fazer exercício com regularidade, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e manter os níveis adequados de pressão arterial, colesterol e açúcar no sangue são algumas das recomendações que a OMS fará chegar aos governos, trabalhadores de saúde e pacientes.

“Ainda que não seja uma emergência global, é uma ameaça crescente para a saúde, já que os números estão subindo, com 50 milhões de pessoas afetadas pela demência na atualidade“, disse à EFE a médica Neerja Chowdhary, do departamento de saúde mental da OMS, durante a apresentação do guia de prevenção.

Segundo Chowdhary, a demência tem um enorme impacto nos países, nas pessoas que sofrem da doença e nas suas famílias”, estimando que o tratamento e acompanhamento médico daqueles pacientes custe mais de 818 milhões de euros anuais, verba que poderá subir até aos dois mil milhões em 2030.

O guia da OMS recomenda a dieta mediterrânica como uma das formas de evitar e/ou atrasar o aparecimento dos sintomas de demência, e, em contrapartida, desaconselha o uso de complexos vitamínicos ou outro tipo de suplementos não prescritos.

Combater e tratar da obesidade, da hipertensão, da diabetes é também aconselhado pela OMS, que, por outro lado, reconhece as dificuldades em estabelecer uma relação direta entre a prevenção da demência e a atividade social, o uso de antidepressivos ou de aparelhos para melhorar a capacidade auditiva.

A demência, ligada a enfermidades como o Alzheimer, só aparece a partir dos 60 aos, embora também possa ocorrer em idades menos avançadas, com sintomas iniciais como perda de memória de curto prazo, de atenção, de concentração, assim como problemas para realizar certos movimentos ou reconhecer caras e objetos.

Não existe ainda cura para as doenças neurodegenerativas ligadas à demência, recordou a especialista, sublinhando estarem em curso “muitas investigações”, mas sem previsões de resultados.

O aumento da esperança de vida a nível mundial eleva potencialmente os casos de demência em virtude desta doença estar ligada à idade, não sendo este problema exclusivo dos países desenvolvidos, com populações mais envelhecidas.

As linhas e atuação que hoje publica a OMS não diferem demasiado dos conselhos para prevenir outras doenças, como é o caso das cardiovasculares.

Nas palavras do diretor-geral da OMS, o médico Tedros Adhanom Ghebreyesus, a demonstração científica para a elaboração destas recomendações confirma a tese de que “o que é bom para o coração, também é para o nosso cérebro”.

A OMS criou em 2017 o Observatório Global da Demência para recolher informação sobre a doença e elaborou uma lista de recomendações após analisar dados de 80 países.

Este organismo internacional assinala que é essencial o apoio dos cuidadores a pessoas afetadas pela demência, muitas delas familiares que sacrificam a sua vida profissional e social nesse desiderato.

Perante a situação atual, a OMS criou recentemente a plataforma digital iSupport, destinada a dar formação a cuidadores informais e que está a ser utilizada em oito países, havendo a intenção de a expandir no futuro.

LUSA

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