O Edifício da Alfândega, no Porto, foi o local escolhido para receber a 26.ª edição da Conferência (HR19) da Harm Reduction International, uma organização não-governamental com o estatuto de Conselheiro Especial do Conselho Económico e Social das Nações Unidas. No âmbito desta iniciativa, a Gilead Sciences, multinacional farmacêutica líder na área das infeções virais organizou uma conferência subordinada ao tema da microeliminação da Hepatite C, como estratégia central para eliminar esta infeção enquanto problema de saúde pública global até 2030, meta proposta pela Organização Mundial de Saúde em 2015 e com a qual Portugal se comprometeu.

Guilherme Macedo:
A urgente microeliminação da Hepatite C

O professor Guilherme Macedo, Diretor do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de S. João, do Centro Hospitalar de São João e responsável pelo Projeto de rastreamento e tratamento de indivíduos infetados com Hepatite C (acolhidas nas instalações da Associação de Albergues noturnos do Porto, que conta ainda com a participação da Associação Abraço) foi um dos convidados da Gilead para partilhar a sua experiência e ideias sobre redução de riscos no ‘Community Hub’.

Na Alfândega do Porto, o Professor Catedrático, salientou o facto de nos últimos dois anos ter havido uma tentativa de provar o conceito de que a única forma de conseguir estar próximo das pessoas que precisam do tratamento da Hepatite C é apostar na deslocalização da estrutura médica e hospitalar, das instituições de saúde onde habitualmente prestam cuidados, para os locais onde se concentram as populações ditas vulneráveis. “Uma das razões pelas quais são vulneráveis é justamente por terem uma acessibilidade muito limitada ao meio hospitalar”, justificou o especialista.

“Não havendo vacina, a única forma de evitar a transmissão é reduzir drasticamente o número de pessoas infetadas”

Para Guilherme Macedo, a única forma de ultrapassar a barreira do acesso é inverter a lógica de funcionamento. “E é isso que temos vindo a fazer nos últimos dois anos, em diferentes níveis. Nas prisões, como Custóias ou Santa Cruz do Bispo; nos albergues noturnos no Porto, sobretudo em colaboração com uma Organização Não Governamental, a Abraço; e nos centros de saúde, no Porto Oriental, onde estamos a conseguir um rastreio sistemático da prevalência do vírus da Hepatite C”.
Guilherme Macedo sublinha que todo este trabalho mais não é do que um esforço de identificação, até porque, diz, as pessoas não sabem que podem estar infetadas pelo vírus da Hepatite C. “Daí este esforço de identificação ser tão importante, já que é a única forma para conseguirmos combater esta doença. Não havendo vacina – nem estando previsto nos próximos anos haver uma disponível –, a única forma de evitar a transmissão é reduzir drasticamente o número de pessoas infetadas por forma a ter a infeção perfeitamente controlada e, finalmente, eliminada”.

Na palestra que deu no ‘Community Hub’, Guilherme Macedo enfatizou ainda a entrega com que os médicos e profissionais de saúde se dedicam a esta causa. “É uma característica que é imprescindível existir. Porque não se trata apenas de um serviço público, mas de uma orientação humanística e com um conceito muito profundo sobre o que é estar próximo de uma realidade que é muito difícil, até para nós, de aceitar. São verdadeiros territórios de ‘guerra’ nos quais temos de estar completamente empenhados e envolvidos”.
Ao invés de considerar toda esta envolvência e empenho um obstáculo, Guilherme Macedo encara-a como um estímulo. “Uma das armas que temos vindo a utilizar é fazer dessa dificuldade uma extraordinária oportunidade para estar próximo de quem mais precisa”.

Quanto ao objetivo proposto pela Organização Mundial de Saúde de eliminar o vírus da Hepatite C, enquanto problema de saúde pública, Guilherme Macedo afirma-se otimista, dizendo mesmo que, em Portugal, seria possível consegui-lo antes dessa data. “Mas para isso temos de saber, com o maior grau de certeza possível, reconhecer a presença do vírus da Hepatite C na comunidade, nomeadamente os sítios onde o vírus está instalado. Depois, em concomitância, propor um esquema de tratamento simples e, sobretudo, acessível. Dito de outra forma, mais abreviada: “Há que identificar e tratar”, defendeu.

Ao invés de considerar toda esta envolvência e empenho um obstáculo, Guilherme Macedo encara-a como um estímulo. “Uma das armas que temos vindo a utilizar é fazer dessa dificuldade uma extraordinária oportunidade para estar próximo de quem mais precisa”.

Quanto ao objetivo proposto pela Organização Mundial de Saúde de eliminar o vírus da Hepatite C, enquanto problema de saúde pública, Guilherme Macedo afirma-se otimista, dizendo mesmo que, em Portugal, seria possível consegui-lo antes dessa data. “Mas para isso temos de saber, com o maior grau de certeza possível, reconhecer a presença do vírus da Hepatite C na comunidade, nomeadamente os sítios onde o vírus está instalado. Depois, em concomitância, propor um esquema de tratamento simples e, sobretudo, acessível. Dito de outra forma, mais abreviada: “Há que identificar e tratar”, defendeu.

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