A investigação, que recorre a dados de outros estudos sobre o peso e altura dos habitantes de cada país, concluiu que, desde 1985, a média do Índice de Massa Corporal (IMC) nas áreas rurais cresceu “2.1 quilogramas por metro quadrado” em homens e mulheres, e que nas cidades o crescimento foi de “1.3 quilogramas por metro quadrado nas mulheres e de 1.6 nos homens”.

“Mais de metade do aumento global ao longo destes 33 anos, deveu-se ao aumento do IMC nas áreas rurais. Em alguns países em desenvolvimento, as áreas rurais foram responsáveis por mais de 80% deste aumento”, lê-se no comunicado enviado pelo Imperial College London.

Contactada pela agência Lusa, Elisabete Ramos, investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP)e uma das 1000 investigadoras envolvidas neste estudo, afirmou que uma das “fraquezas” da investigação assenta no facto destes “valores não serem absolutos”.

“Muitos países só foram entrando mais tarde e cada um foi contribuindo com os dados que já tinha. Aliás, todas as regiões estão muito mais representadas na última década do que nas primeiras, porque não era um problema tão estudado e por isso, não havia tantos dados”, apontou.

De acordo com o estudo, em 1985, em cerca de 150 países, os homens e as mulheres das áreas urbanas tinham um IMC maior do que os que residiam nas áreas rurais, tendência que se “reverteu” ao longo das três décadas.

A investigação refere que as mulheres residentes em zonas rurais dos países da Europa Central e Oriental são “mais pesadas” do que as mulheres que residem nas zonas urbanas, tendência que permaneceu “praticamente inalterada” desde 1985.

Por sua vez, os homens das zonas rurais da Suécia, República Checa, Irlanda, Austrália, Áustria e Estados Unidos da América apresentaram um IMC “superior em 0,35 quilogramas por metro quadrado” ao IMC dos homens citadinos.

À Lusa, Elisabete Ramos explicou que apesar de o estudo “não ter dados sobre os determinantes” deste paradigma, acredita que o aumento da obesidade nas zonas rurais de deve ao facto de “os trabalhos pesados na agricultura” dependerem cada vez menos da atividade física do individuo e à aproximação da alimentação dos seus residentes a “padrões mais urbanos”.

Segundo a investigação, em 1985, foram as mulheres rurais do Bangladesh que apresentaram o menor IMC registado no estudo, com 17,7 quilogramas por metro quadrado, assim como os homens da zona rural da Etiópia, com um índice de 18,4 quilogramas por metro quadrado.

De acordo com Elisabete Ramos, apesar de o estudo dar “uma boa ideia” dos padrões de obesidade a nível global, o mesmo não acontece quando analisamos cada país, na medida em que a investigação “pode não estar a refletir verdadeiramente ou na sua totalidade o que está a acontecer”.

“Por exemplo, os países em desenvolvimento têm uma evolução e provavelmente ainda estão em fases que estão a aumentar a grande velocidade o seu IMC. Quando olhamos para países desenvolvidos, esta realidade já não é exatamente a mesma, porque estamos a partir de contextos completamente diferentes. Uma área rural num país desenvolvido na década de 80, mesmo sendo menos desenvolvida que uma área urbana, claramente é mais desenvolvida do que uma área rural num país em desenvolvimento”, frisou.

A investigação avança ainda que, entre 1985 e 2017, o IMC “diminui ligeiramente” em mulheres de 12 países da Europa Grécia, Espanha, Lituânia, República Checa, Itália, Portugal, Sérvia, França, Malta) e da Ásia-Pacífico (Nauru, Singapura e Japão) e que, os padrões de IMC dos homens aumentaram “em todos os países”, especialmente em Santa Lúcia, Bahrein, Peru, China, República Dominicana e Estados Unidos da América.

LUSA

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