A propósito do Dia Mundial da Voz, que hoje se celebra, Aníbal Ferreira, investigador e docente da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), explica que o projeto, intitulado ‘DyNaVoiceR’, surgiu com o propósito de colmatar uma “lacuna” tecnológica que, atualmente, é “muito aquém das expectativas das pessoas”.

“Percebemos que do ponto de vista tecnológico não existe nenhuma solução (…) Hoje em dia, ouvimos falar de todos os tipos de tecnologia capaz de reconhecer fala, mas não existe nenhum dispositivo que seja capaz de ajudar uma pessoa a produzir fala natural e normal“, referiu Aníbal Ferreira.

O ‘DyNaVoiceR’, financiado em 240 mil euros pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), junta investigadores da Universidade do Porto e de Aveiro, do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), do Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro e do Centro Hospitalar de São João.

O projeto, iniciado em 2018 e constituído por uma equipa de engenheiros, médicos otorrinolaringologistas e terapeutas da fala, tem como objetivo a criação de um dispositivo tecnológico que, ao “canalizar os sinais de fala sussurrada” de doentes que sofrem de problemas de comunicação oral (como a afonia), transforma os sinais numa “voz regenerada”.

“A ideia é a pessoa utilizar o auricular e falar em fala sussurrada para o microfone desse auricular, a fala captada pelo microfone e creditada na aplicação que está a decorrer no telefone, transforma o sinal em tempo real e capta as regiões da fala que estão em falta, dando-lhe sonoridade. O som vai ser transmitido por altifalantes que vão estar escondidos na roupa ou até nos botões do telefone”, esclareceu o docente da FEUP.

À Lusa, Aníbal Ferreira explicou que a equipa de investigadores pretende ainda que, até ao final do projeto, em 2021, os “dispositivos translocutores” façam a reprodução do sinal “de forma muito percetível e assertiva” de modo a que as pessoas com disfonia consigam ter “uma voz o mais natural possível”.

“Todo este sistema tem de ter capacidade de fazer correção linguística, de projetar a voz regenerada, assim como transmitir o elemento da assinatura sonora deste falante, como se fosse criado um perfil da pessoa, de modo a que ela tenha uma fala com identidade”, apontou.

Nesse sentido, os investigadores do CINTESIS vão recolher amostras de voz de falantes voluntários saudáveis do Centro Hospitalar de São João que servirão para ajudar a recolher a “impressão vocal” de cada individuo.

Posteriormente, essa informação vai ser trabalhada pelos engenheiros que vão desenvolver técnicas e ferramentas essenciais para a reconstrução da voz natural.

Posteriormente, essa informação vai ser trabalhada pelos engenheiros que vão desenvolver técnicas e ferramentas essenciais para a reconstrução da voz natural.

“Por uma dificuldade de comunicação a pessoa tem de descontinuar a sua missão, quando poderia perfeitamente desenvolver um trabalho muito importante na comunidade, mas que simplesmente não consegue por causa de um problema de comunicação oral”, salientou, concluindo que este sistema vai tornar-se numa solução “gratificante” para todos os doentes.

LUSA

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