Desde a sua criação em março de 2014, o PIPCO rastreou quase oito mil doentes, tendo sido realizadas 3.806 biópsias pelos médicos dentistas aderentes ao programa, adiantam os dados divulgados por Filipe Freitas, membro do Grupo de Acompanhamento do PIPCO e da Mesa da Assembleia Geral da Ordem dos Médicos Dentistas, nos “Encontros da Primavera de Oncologia”, em Évora.

“O número de doentes abrangidos tem crescido todos os anos”, disse Filipe Freitas, adiantando que “uma das grandes virtudes” deste projeto é a utilização de “uma forma eficiente” da capacidade instalada em termos de recursos públicos e privados, no sentido de permitir o diagnóstico precoce de lesões malignas, garantindo depois uma rápida resposta por parte dos serviços de saúde para o tratamento atempado da doença.

Filipe Freitas salientou que Portugal é um dos países da Europa com maior taxa de incidência de cancro oral e onde a taxa de mortalidade também é bastante elevada: “a sobrevivência ao fim de cinco anos é de apenas 40%, por comparação com os 47% da média europeia”.

Sublinhou ainda que “a sobrevivência é ainda menor nos estádios avançados do tumor, sobrevivendo apenas 15% a 30% dos doentes cinco anos depois do diagnóstico tardio”.

Portanto, defendeu, “o diagnóstico precoce é o mais importante fator para o prognóstico da doença, permitindo alcançar boas taxas de sucesso dos tratamentos”, sendo que o médico dentista tem “um papel fundamental” na prevenção e no diagnóstico precoce da doença.

O objetivo do PIPCO é precisamente rastrear doentes de risco e identificar lesões numa fase inicial. Os “cheques diagnóstico” do cancro oral são emitidos pelo médico de família quando há lesões suspeitas, sendo os doentes referenciados para um médico dentista aderente ao PIPCO.

Caso se confirme a necessidade de esclarecer a natureza da lesão, o médico dentista emite um “cheque biópsia”, realiza o procedimento cirúrgico e envia para análise para determinar o diagnóstico. Segundo os últimos registos oncológicos nacionais, anualmente surgem cerca de 1.600 novos casos de cancro da cavidade oral e faringe.

O cancro oral é mais frequente nos homens acima dos 45 anos e o tabaco e consumo em excesso de álcool são os principais fatores de risco. A infeção pelo vírus do papiloma humano constitui também um importante fator de risco, sobretudo para os tumores da orofaringe.

O carcinoma espinocelular é o tipo de cancro mais frequentemente detetado, enquanto que a leucoplasia é a lesão com potencial de malignização mais importante.

Uma lesão branca ou vermelha da mucosa oral sem razão aparente, uma ferida que não cicatriza ou um aumento de volume irregular, devem merecer especial atenção.

A dor, dificuldade em engolir ou em movimentar a língua constituem também motivo de alerta.

LUSA

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