Um inquérito realizado em janeiro de 2019, no SUG, a utentes triados como não urgentes e pouco urgentes (pulseiras verde e azul), revelou que 61,1% dos doentes se dirige à urgência por iniciativa própria, sem recorrer aos cuidados de saúde primários.

Segundo o estudo, dinamizado por investigadores do CHL, em parceria com a Escola Superior de Saúde de Leiria do Instituto Politécnico de Leiria e com o Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Litoral (ACES-PL), “apenas 21,9% dos inquiridos afirmaram ter recorrido em primeiro lugar ao centro de saúde antes de ir ao SUG e, destes, apenas 34% trouxeram informação clínica”.

De acordo com os dados divulgados pelo CHL, 87,1% dos utentes não urgentes e pouco urgentes que se dirigiram em primeiro lugar à urgência consideram que a sua doença justifica a ida à urgência, enquanto 52,6% revelou que “queria ser observado por um especialista”, 51,2% que poderiam, na urgência, “realizar os exames todos no mesmo dia” e 46,4 adiantaram que “é difícil marcar uma consulta no centro de saúde”.

Dos cerca de 18,3% dos utentes que optaram por ir aos cuidados de saúde primários, 60% fizeram-no por ser “a forma correta de atuar” e 51,7% porque “o médico/enfermeiro tem solucionado” os seus problemas.

A equipa de investigadores conduziu ainda um estudo aos utentes hiperfrequentadores em 2018 e constatou que 11% dos doentes foram ao SU mais de quatro vezes no período de 12 meses.

Os utentes frequentes da Urgência (ano 2018) são maioritariamente aposentados, isentos de taxas moderadoras e com idade acima dos 64 anos.

Destes, 45,7% foram triados como pouco urgentes ou não urgentes e 64,3% foram encaminhados para o centro de saúde, consulta externa, domicílio ou equivalente no exterior.

Dos 199 utentes inquiridos pertencentes ao ACES-PL, 96,5% têm médico de família e 85,3% têm conhecimento da existência da consulta aberta do centro de saúde, sendo que 63% já a utilizou.

A avaliação dos dados evidenciou ainda que 56,3% dos utentes pouco e não urgentes são do sexo feminino, 53% são casados, 37,4% têm apenas o 1.º ciclo como habilitações literárias e 37,9% estão reformados, enquanto 41,3% são ativos.

“Estes dados permitem-nos estudar a tendência dos comportamentos dos utentes no acesso às urgências, à semelhança do que fizemos num estudo idêntico no final de 2014. Verificamos que, à data de hoje, apesar da quase totalidade dos utentes ter médico de família atribuído, as diferenças são mínimas e as melhorias pouco significativas”, explica a vogal do Conselho de Administração do CHL, Alexandra Borges, citada na nota de imprensa.

A administradora acrescentou que, “no final de 2014, 61,8% dos utentes dirigiram-se ao SUG por iniciativa própria e 18,3% foram primeiro ao centro de saúde, mas apenas 34% trouxeram informação clínica”.

LUSA/SO

ler mais