O reajuste de preços que ocorreu durante o período de ajustamento financeiro levou os preços dos medicamentos a baixarem 30%. A partir daí, os preços estagnaram, o que está a deixar muitas farmácias em grandes dificuldades. O presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) diz, em entrevista ao Negócios, que é inevitável que o preço dos fármacos aumente.

João Almeida Lopes admite que os primeiros medicamentos a aumentar sejam aqueles que são vendidos a um preço mais baixo. O presidente da Apifarma critica a legislação de preços, “que leva a que todos os anos seja feita uma comparação dos preços” de Portugal com quatro países europeus onde os preços são muito baixos.

“Isso leva a que haja produtos com uma degradação de preços inacreditável, que depois faltam porque custam um ou dois euros”, diz João Almeida Lopes, acrescentando que, “para quem paga, [os preços] estão sempre elevados”. A posição de Almeida Lopes é contrária à do secretário de Estado da Saúde Francisco Ramos, que defende uma redução do preço dos medicamentos.

O presidente da Apifarma alerta que o mercado pode mesmo deixar de ser sustentável se não aumentarem os preços. Quanto à questão dos genéricos, João Almeida Lopes considera que “não é possível aumentar mais a quota” deste tipo de fármacos em Portugal, acrescentando que em Espanha, Itália ou França a quota de genéricos não é tão elevada.

Dívidas dos hospitais aumentam

As dívidas dos hospitais do SNS à indústria farmacêutica voltaram a aumentar no mês de janeiro. De acordo a Apifarma, a dívida vencida (superior a 90 dias) atingiu os 388,3 milhões de euros, mais 11,3 milhões do que em dezembro. Este aumento representa uma inversão na redução da dívida registada nos últimos meses.

Tiago Caeiro

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