A relação entre médico e doente está cada vez a estreitar-se mais e agora uma consulta pode estar à distância de uma videochamada a partir de um smartphone. Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) estão a desenvolver um projeto-piloto que deverá estar operacional ainda este semestre na região de Lisboa, avança Henrique Martins (o presidente do SPMS), em declarações ao Jornal de Notícias.

O objetivo é estender a funcionalidade a todo o país até ao final de 2019. Para poder aceder, tem de instalar no seu telemóvel a aplicação “My SNS Carteira”, onde estará, em breve, esta opção. A aplicação existe desde o início de 2017 e é usada por 330 mil pessoas. As consultas por videochamada dependerão sempre da vontade do médico.

“Claro que não se pode resolver tudo, pois há muita coisa que não deve ser tratada por telesaúde, mas muitas dúvidas podem ser resolvidas por videochamada, com uma interação em que vejo o rosto do doente, uma mancha na pele, uma úlcera, um olho vermelho…”, disse Henrique Martins à TSF.

O modelo de consultas feitas à distância já é utilizado há algum tempo no setor privado. Contudo, no Alentejo já são feitas consultas por videochamada em que o doente, acompanhado pelo seu médico de família, comunica com um especialista hospitalar – evitando, assim, grandes deslocações até ao hospital. Esta solução também já existe no meio prisional.

 

Mais de 2 mil médicos já passam receitas por telemóvel

 

É uma funcionalidade que entrou em vigor há um mês e que pode ser importante para os médicos que aceitam dar consultas à distância possam prescrever uma receita.
Antes desta funcionalidade, o médico tinha de usar computador com leitor de cartão, para o cartão da Ordem dos Médicos ou cartão do cidadão. Agora, usa a chave móvel digital com valor de assinatura, o que permite que as receitas médicas sejam passadas pelo médico através do telemóvel e enviadas diretamente para um número de telemóvel ou e-mail do utente.
Este projeto vai ser explicado na “Portugal eHealth Summit”, a cimeira de tecnologia e saúde que decorre de hoje até sexta-feira em Lisboa, promovida pelo Ministério da Saúde, através dos SPMS.

Dados dos SPMS indicam que só no ano passado foram prescritas mais de meio milhão de receitas manuais e no domicílio, com os antigos modelos de receita A5 em papel. Também no setor privado há ainda cerca de três milhões de receitas prescritas manualmente, que resultam por vezes de contactos telefónicos que os doentes têm com os médicos ou de pedidos de prescrição posteriores a uma consulta presencial.

Através desta funcionalidade, Henrique Martins espera uma “diminuição muito grande” das receitas em papel passadas nos casos em que os médicos se deslocam a casa do doente.

 

Quase todas as pessoas podem consultar boletim de vacinas online

 

Questionado sobre o registo eletrónico da vacinação, Henrique Martins disse que, neste momento, praticamente todas as pessoas que pretendam consultar o seu boletim de vacinas no portal do SNS já o pode fazer. O utente “pode descarregar o seu boletim de vacinas e andar com ele no seu telemóvel desde que tenha um smartphone”, explicou o presidente dos SPMS.

“É uma ferramenta que teve uma grande adesão. Posso dizer que diariamente mais de 1000 pessoas consultam o seu boletim de vacinas online”, vincou.

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