O tratamento do cancro tem evoluído bastante nos últimos anos. Não só se têm melhorado as soluções já existentes (quimioterapia, radioterapia) como têm surgido novas opções terapêuticas. No último sábado, em Lisboa, uma série de especialistas reuniu-se no encontro “Novos Desafios em Oncologia” para debater os avanços científicos na área da radioncologia.

A hipertermia foi um dos tratamentos inovadores abordados no encontro. Este novo método é utilizado em tumores malignos e consiste no aquecimento “do volume tumoral até temperaturas que despertem um efeito anti-neoplásico”, ou seja, até temperaturas (entre os 39 e os 45 graus) que destruam as células cancerígenas, explica o médico radioncologista Paulo Costa.

Doutor Paulo Costa, radioncologista do hospital CUF Porto.

Habitualmente utilizada em combinação com a quimio e a radioterapia, esta técnica também pode ser usada de forma isolada em situações de controlo da dor e de cuidados paliativos. “É já hoje parte integrante de várias guidelines internacionais de tratamento oncológico, de entre as quais se destaca o cancro da mama”, diz o especialista, acrescentando que “é uma terapêutica extremamente segura e desprovida de efeitos colaterais”.

Estão já publicados vários estudos que atestam a eficácia desta técnica, não só no cancro da mama mas também no do pescoço e cancro do colo do útero. O hospital CUF Porto, o primeiro em Portugal aplicar a técnica, adquiriu dois equipamentos: um para hipertermia local e outro para geral. “Nas duas máquinas atingem-se temperaturas elevadas sem provocar danos nos tecidos normais, só nas células tumorais “, contou ao Correio da Manhã o oncologista António Moreira Pinto.

É um tratamento indolor e nao-invasivo. É aplicado por via externa recorrendo a dois eléctrodos ajustáveis e com modulação de frequência. Em doentes com cancro mestastizado, esta terapia já produz taxas de resposta positivas a rondar os 60%.

Em Portugal há cerca de sete anos, a radioterapia estereotáxica destaca-se também pelo facto de apresentar uma “diminuição marcada das toxicidades”, como explica o médico Paulo Costa. Esta técnica é um “tratamento de radioterapia de elevada precisão realizado por um sistema de coordenadas estereotáxicas”. É também um tratamento não-invasivo, que envolve a administração de altas doses de radiação a uma determinada região do corpo: pulmões, fígado, pâncreas, rins. Está indicado para tumores pequenos e bem definidos que possam ser visualizados em exames de imagem.

Tiago Caeiro

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