Segundo os resultados preliminares do Terceiro Inquérito Demográfico e de Saúde Reprodutiva (IDSR – III), apresentados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a mortalidade infantojuvenil (das crianças de menos de cinco anos) passou de 33% em 2005 para 18% em 2018.

O inquérito constatou que a mortalidade infantil (crianças com menos de um ano) passou de 30% em 2005 para 16% em 2018, enquanto a mortalidade juvenil (das crianças de um a quatro anos) continuou nos 3%.

O mesmo estudo, cujos dados foram recolhidos em todo o país entre fevereiro e maio de 2018, revelou uma “melhoria significativa” do aleitamento materno exclusivo, em que 45% das crianças até cinco meses não ingere outro tipo de alimento (inclusive água), comparativamente com uma proporção de 28% em 2005.

O estudo observou que nove em cada 10 mulheres (86%) fizeram, pelo menos, quatro consultas pré-natais recomendadas, quando essa proporção era de 72% em 2005, de acordo com o INE de Cabo Verde.

O inquérito revelou que a quase totalidade das mulheres cabo-verdianas (97%) tiverem os seus filhos assistidos por um profissional de saúde no período em análise e que quase todos esses nascimentos ocorreram nas estruturas de saúde, contra 78% em 2005.

Em 2018, a esmagadora maioria das mulheres (87%) recebeu cuidados pós-natais nos dois dias que seguiram o nascimento, contra 65% em 2005.

O diretor nacional de Saúde, Artur Correia, disse à imprensa que os dados hoje apresentados demonstram que o país está praticamente a erradicar os partos fora das estruturas de saúde e os não assistidos pelos profissionais de saúde.

Para Artur Correia, o facto de ainda cerca de 3% das mulheres cabo-verdianas darem à luz foram das estruturas de saúde “tem a ver com a mentalidade das pessoas”, mas salientou que os resultados “são espetaculares”.

“É preciso 100%, é muito difícil, mas vamos trabalhar nesse sentido e consolidar esses ganhos de cobertura”, disse o médico, salientando que os dados demonstram que não há um problema de não acesso às estruturas de saúde por causa das cobranças ou de outros fatores.

Fecundidade das mulheres cabo-verdianas em queda significativa

Os resultados deste estudo também revelam que, nos últimos 13 anos, a fecundidade da mulher cabo-verdiana baixou 14%, contra os anteriores 2,9 filhos em média, por mulher, queda que foi mais acentuada no meio rural (2,6 filhos/por mulher) em relação ao meio urbano (2,4 filhos/por mulher).

Durante a apresentação destes resultados, o coordenador técnico do inquérito, Orlando Monteiro, disse que a baixa fecundidade em Cabo Verde é preocupante, tendo em conta que o país está a aproximar-se do limiar da substituição de gerações, que é de pelo menos, em média, 2,1 filhos por mulher.

O técnico do INE recomendou, por isso, que o país deve rever a sua política nacional da população, para evitar escassez de mão de obra no futuro.

Artur Correia também manifestou a sua preocupação com a baixa fecundidade, que faz com que a população diminua, e disse que o país vai trabalhar para haver um equilíbrio no que toca aos nascimentos.

O estudo analisou a fecundidade no seio das jovens/adolescentes, e concluiu que 12% das meninas de 15 a 19 anos de idade revelou que já tinha tido, pelo menos, um filho, contra 15,2% no estudo anterior.

O inquérito revelou que 5,6% das meninas com 15 anos de idade já tinha tido um filho, uma proporção que quase triplicou, já que em 2005 era de 1,9%.

O IDRS-III concluiu que há uma maior proporção de jovens grávidas a partir dos 17 anos, sendo mais acentuada nas meninas de 18 anos de idade (7,3%).

Sobre a utilização da contraceção moderna, os dados preliminares observam ainda uma ligeira diminuição nas mulheres que vivem em união com um companheiro, passando de 57,1% em 2005 para 54,6% em 2018.

A baixa mais significativa registou-se na esterilização feminina (14,8% em 2005 contra 8,4% em 2018), seguida da utilização de preservativo masculino (de 6,1% em 2005 para 5,4% em 2018).

O uso da pílula pouco mudou entre os dois inquéritos (21,4% em 2005 e 20,9% em 2018), a percentagem de utilizadoras de injeções aumentou (11,3% para 14,8%) e a utilização do implante, que era nula há 13 anos, aparece no inquérito, com um peso de 2,7%.

A utilização de métodos tradicionais, como a abstinência periódica e o coito interrompido, baixou de 4,3% para 1,1%.

Relativamente às mulheres que não vivem em união, mais de metade (51%) utiliza um método moderno de contraceção, sendo a pílula o que mais utilizam (20,3%), seguido de preservativos (masculino 16,3% e feminino 0,1%).

No que diz respeito à preferência de fecundidade, a maioria das mulheres cabo-verdianas em união (52) não deseja ter filhos ou mais filhos, contra 70% em 2005.

A recolha de dados para o inquérito foi feita por 18 equipas nos 283 distritos de recenseamento do país, tendo sido entrevistados 6.741 agregados familiares com uma taxa de respostas a nível nacional de 98% entre as mulheres dos 15 aos 49 anos.

LUSA

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