“O aumento das doenças crónicas não transmissíveis e a possibilidade de no futuro os nossos filhos poderem viver menos anos do que nós, e com um viver pesado, deve ser motivo de preocupação”, advertiu, vincando que muito do “pesar na doença” resulta dos maus hábitos alimentares.

Alexandra Bento falava na abertura das I Jornadas de Nutrição da Região Autónoma da Madeira, que decorrem hoje na capital madeirense e tem por base três mesas redondas subordinadas aos temas da nutrição clínica, nutrição comunitária e saúde pública e alimentação coletiva e restauração.

“Temos de colocar a alimentação em todas as políticas, de forma a assegurar aquilo que é um direito universal, que é o direito humano à alimentação adequada”, afirmou a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

A responsável disse que há ainda um “longo caminho” a percorrer para melhorar o estado de saúde da população portuguesa, mas destacou, por outro lado, que a trajetória do país em termos de melhoria da saúde tem sido “relevante” e está bem patente no aumento da esperança média de vida e na diminuição da mortalidade à nascença.

A abertura das I Jornadas de Nutrição da Madeira foi presidida pelo chefe do executivo regional, Miguel Albuquerque, que sublinhou a aposta nos cuidados primários de saúde, com enfoque na nutrição.

“Vamos avançar o mais rapidamente possível nos próximos anos no sentido de garantir que a nutrição seja um dos vetores fundamentais ao nível dos cuidados primários de saúde”, disse, explicando que dos cerca de 100 nutricionistas que atuam na Madeira, 37 estão afetos a serviços públicos, nomeadamente o Serviço Regional de Saúde (31), a Educação (quatro), a Segurança Social (um) e a Câmara Municipal de Câmara de Lobos (um).

Miguel Albuquerque considerou, por outro lado, que a “única forma” de a região autónoma garantir a sustentabilidade do sistema público de saúde é através de “políticas efetivas e concretas” nos cuidados primários, onde a área da nutrição assume uma importância especial.

O presidente da delegação regional da Ordem dos Nutricionistas, Bruno Sousa, sublinhou, por seu lado, que as I Jornadas de Nutrição “superaram claramente” as expectativas da organização, considerando o número de inscritos – 170 -, entre nutricionistas, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, professores e estudantes.

“A procura dos profissionais na Região Autónoma da Madeira é demonstrativa da necessidade deste evento e o número de inscritos demonstra bem a abrangência da nutrição e da importância do trabalho multidisciplinar”, disse.

LUSA

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