A edição deste ano (a 13ª) do Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovasculaar Global reúne em Vilamoura mais de 600 congressistas (a grande maioria clínicos de Medicina Geral e Familiar). O cardiologista Manuel Carvalho Rodrigues explica, ao SaúdeOnline, que os médicos de família são o público-alvo do encontro, que ocorre, todos os anos, no início de Fevereiro.

“Queremos criar uma ideia: a hipertensão arterial não está isolada do doente. Ela faz parte do risco cardiovascular global que temos de analisar em cada doente”, diz o médico cardiologista, acrescentando que “cada vez mais a abordagem ao doente tem de ser individualizada”. “É este paradigma de mudança de avaliação que tentamos passar aos nossos congressistas”, reforça.

O cardiologista do Centro Hospitalar da Cova da Beira frisa que a abordagem integrada do doente é essencial para que este adira ao tratamento. Um fator muito importante para atingir esse objetivo é a progressiva redução do número de comprimidos. “Cada vez mais, é necessário utilizar muitas substâncias ativas num só comprimido”, afirma, ressalvando que estão a surgir novas combinações mais eficazes.

“Quer para a dislipidemia, quer para a diabetes, quer para a hipertensão arterial, nós estamos num caminho em que as associações de substâncias já conhecidas estão a trazer maior eficácia com menos efeitos secundários e uma maior adesão ao tratamento”, conclui.

Um mito que o congresso tenta, este ano, desfazer é o de que a hipertensão é uma doença das classes etárias mais avançadas. “Infelizmente, a hipertensão arterial já não é só uma doença do idoso”, afirma o Dr. Manuel Carvalho Rodrigues, alertando que “a hipertensão tem de ser acompanhada desde a adolescência e ao longo da vida”.

Também não é possível, diz, dissociar a diabetes da hipertensão. “A maioria dos diabéticos são hipertensos e muitos dos hipertensos são diabéticos. Não podemos tratar estas duas doenças de forma individual”, ressalva o especialista.

Os últimos dados conhecidos dão conta de que 42% dos portugueses são hipertensos. Apesar de a incidência da doença teimar em manter-se elevada, o cardiologista lembra que, em 10 anos, a morte por AVC diminuiu 46%. O Dr. Carvalho Rodrigues frisa que, para esse resultado, muito contribuíram as campanhas de sensibilização feitas ao longo dos anos.

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