Dia de Luta contra o Cancro – Morrem 3 pessoas por hora em Portugal com a doença

Cláudia de Jesus

Cláudia de Jesus

Médica Especialista Médis

O objetivo do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro é desmistificar algumas das ideias pré-concebidas sobre o cancro e informar para os fatos reais da doença. É um evento global que une a população em torno da luta contra o cancro, através da sensibilização e educação.

Todos os anos cerca de 8 milhões de pessoas morrem de cancro e muitas destas mortes podem ser evitadas através da prevenção, deteção precoce e tratamento.

O cancro contabiliza mundialmente mais mortes do que o HIV/SIDA, tuberculose e malária juntos. Em 2030, estima-se que 60 a 70% dos 21,4 milhões de casos de cancro ocorrerão nos países em desenvolvimento.

Em Portugal morrem 70 pessoas por dia com cancro, o que significa que em cada hora que passa 3 pessoas morrem vítimas da doença.

Os cancros que mais matam são os do cólon, reto e anûs, assim como os cancros da laringe, pulmão e estômago.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 40% de todos os cancros podem ser prevenidos e outros podem ser detetados numa fase precoce do seu desenvolvimento, tratados e curados. Pelo que a colaboração de todos os intervenientes na saúde das populações é fundamental para tornar o diagnóstico e o tratamento mais acessíveis.

Ao contrário do que se possa pensar, a maioria dos cancros não resulta de fatores hereditários que passam de geração em geração. Segundo a American Cancer Society, apenas 5 a 10% dos cancros são hereditários, pelo que, a esmagadora maioria das vezes, o cancro resulta de fatores ambientais, como o meio em que a pessoa vive e o seu estilo de vida. Por isso, na luta contra o cancro é muito importante adotar hábitos saudáveis e, ao mesmo tempo, fazer exames de rastreio regulares para detetar eventuais doenças de forma precoce.

Tratamento

Os tratamentos atuais na luta contra o cancro são muitas vezes usados em associação, permitindo curar doentes com bom prognóstico e prolongar significativamente a sobrevida de outros.

A radioterapia consiste na utilização de radiação ionizante para destruir células doentes, é muito importante porque permite definir com grande precisão as zonas a tratar e limitar a exposição dos tecidos saudáveis.

A quimioterapia consiste na utilização de fármacos que matam as células cancerosas.

Reservada a certos casos, como o cancro da mama ou da próstata, a hormonoterapia provoca a morte de células tumorais num prazo mais longo, criando um ambiente hormonal desfavorável. Existem ainda tratamentos que atacam os vasos sanguíneos que alimentam o tumor.

Porém qualquer um destes tratamentos ataca também células saudáveis, acarretando efeitos secundários significativos.

Para além disso, certos tipos de cancros (pulmão, fígado ou pâncreas) não respondem tão bem aos atuais tratamentos, levando os investigadores mundiais a buscar novas respostas terapêuticas. Entre elas aparecem a Imunoterapia, uma técnica que mobiliza as defesas imunitárias do doente contra a sua própria doença.

Prevenção

Deixar de fumar, diminuir o consumo de álcool, manter uma dieta saudável, fazer exercício físico e combater a obesidade são as recomendações chave para diminuir o risco de tumores malignos.

Aposte nas frutas e vegetais, cereais integrais e leguminosas e corte nas gorduras animais, no açúcar refinado, nas carnes vermelhas e processadas.

Existem ainda vacinas que, ao garantir a imunidade em relação a infeções virais, ajudam a prevenir o cancro. São exemplo destas a vacina contra a hepatite B que diminui o risco de cancro do fígado e a vacina contra o HPV, vírus sexualmente transmissível que pode originar cancro dos ovários ou cancro de células escamosas da cabeça e do pescoço.

Faça consultas regulares com o seu médico assistente e siga as suas indicações, fazendo com regularidade as análises ou exames de rotina aconselhados. A deteção precoce de um problema cancerígeno é sempre uma vantagem e pode ser determinante para o sucesso do tratamento.

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