Apesar de considerar que a indústria farmacêutica tem diminuído o apoio aos médicos de família, o cardiologista Carlos Ramalhão (que preside às Jornadas, juntamente com a também cardiologista Júlia Maciel) reforça, em declarações ao Saúde Online, a importância do encontro para os especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF).

“Grande parte dos doentes que vai aos centros de saúde tem tensão alta, ou tem doença nas coronárias, ou tem insuficiência cardíaca ou outra doença que acaba por se repercutir no coração (como a diabetes ou as doenças respiratórias)”, explica o Dr. Carlos Ramalhão, acrescentando que estas “são situações que é preciso ter em conta quando se trata um doente no foro cardiovascular”.

O médico, que dirige as jornadas desde a primeira edição e se mostra sempre disponível para responder a dúvida dos seus colegas de MGF, considera que “os médicos de família estão cada vez sensibilizados” para os problemas cardiovasculares.

As inovações terapêuticas ocupam sempre um lugar de destaque nas Jornadas. Carlos Ramalhão destaca o aparecimento recente “de novos fármacos para tratar a diabetes, angina [de peito], hipertensão”. “Todos os anos surgem novos fármacos que melhoram o tratamento do doente e que têm menos efeitos colaterais”, reforça o cardiologista.

Uma componente das Jornadas que assume uma especial importância, diz, é a discussão dos casos clínicos apresentados tanto pelos participantes como pela própria comissão organizadora das Jornadas. Carlos Ramalhão explica que o espaço “Dúvidas de Corredor” permite aos especialistas inscritos exporem as suas dúvidas, enquanto que, nos “Casos Didáticos”, os casos são escolhidos pela comissão organizadora e “permitem que [os participantes] cheguem rapidamente a um diagnóstico através de um sintoma” reportado pelo doente. Casos práticos que terão, depois, uma utilidade acrescida para os médicos de família nas consultas.

“Os médicos de família são a primeira barragem dos doentes cardiovasculares. Se um médico de família tratar bem uma hipertensão ou a uma insuficiência cardíaca e se estiver atento aos sintomas dos doentes para despistar a doença coronária, estão dados passos de gigante para melhorar a qualidade de vida dos doentes”, garante o cardiologista.

Sobre um tema que tem sido muito discutido ao longo dos últimos anos – com alguma polémica à mistura – e que foi também abordado nas Jornadas, Carlos Ramalhão não tem dúvidas: “As Estatinas são absolutamente indispensáveis nos doentes com doença coronária. São o melhor fármaco para tratar o colesterol elevado”.

Os anticoagulantes orais estiveram também, tal como no ano passado, em destaque em várias conferências inseridas nas Jornadas. O lançamento de novos fármacos neste campo pretende dar resposta a diversas patologias e eventos cardiovasculares (como a fibrilação auricular), cuja prevalência aumenta com o avançar da idade.

Saúde Online

 

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