“Quando falamos em pré-diabetes falamos no risco para a Diabetes tipo 2. Dizemos que o individuo tem pré-diabetes quando tem uma glicose em jejum com um valor superior a 100 e inferior aos 126. Se for igual ou superior a 126, já é diabético”, começa por explicar a Dra. Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), acrescentando que “na pré-diabetes, os doentes podem ser assintomáticos”, levando a que 9 em cada 10 desconheçam que sofrem desta patologia, tornando-se importante estar alerta para sintomas como a sede e fome constantes, cansaço extremo, problemas de visão, feridas que demorem algum tempo a sarar, dormência, formigueiro e dor nas mãos e nos pés que podem ajudar a reconhecer pré-diabetes.

A médica endocrinologista realça, no entanto, que é possível reverter esta condição, assim como a diabetes tipo 2, sendo a perda de peso fator primordial nesse processo: “A perda de peso está associada à reversão da diabetes para a pré-diabetes e da pré-diabetes para o normal. Para tal, é essencial praticar exercício de forma regular; perder o excesso de peso; seguir uma alimentação equilibrada incluindo vegetais, fibras e frutas; evitar as gorduras, os hidratos de carbono refinados; evitar o consumo de bebidas alcoólicas; aumentar o consumo de água. Em resumo: um estilo de vida o mais saudável possível”

Estima-se que cerca de 70% dos indivíduos com pré-diabetes estão em risco de desenvolver diabetes, estando entre 15 a 30% em risco de a desenvolver num prazo de 5 anos. De acordo com os dados do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes referentes a 2015, a Hiperglicemia Intermédia, a chamada pré-diabetes, afeta 27,4% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, o que corresponde a 2,1 milhões de pessoas. Dentro desta doença, algumas pessoas sofrem de Alteração da Glicemia em Jejum (AGJ) ou Tolerância Diminuída à Glicose (TDG), ou as duas em simultâneo. Considerando a mesma faixa etária, o relatório aponta para uma prevalência de 10.4% da população portuguesa com AGJ, 14.3% com TDG e 2.7% a sofrer de ambas as condições.

De forma a contrariar estes números num futuro próximo, a especialista considera “importante que as pessoas saibam que existem ferramentas que elas próprias podem usar para avaliar o seu risco de diabetes com contas muito simples e, se de facto tiverem um risco elevado, devem consultar o seu médico”, salienta, tomando como exemplo o FINDRISK, um instrumento que permite calcular o risco de desenvolver a diabetes considerando critérios como a idade, o IMC, género, atividade física, entre outros. Aliado às informações que daqui se podem obter, nomeadamente um possível diagnóstico, é prioritário que a população ganhe consciência para os riscos da diabetes: “É preciso que saibam que a diabetes tipo 2 está ligada à obesidade. Se perderem peso, perdem a diabetes. É reversível. Outra coisa que têm que saber é que a diabetes é uma doença grave, porque está associada a múltiplas doenças: retinopatia, neuropatia, doenças cardiovasculares, amputações e muitas mais doenças. É, por isso, crucial ter uma atitude preventiva e seguir um estilo de vida saudável”, conclui.

Mónica Abreu Silva