Com base na informação dos sistemas de vigilância gripais a nível internacional e da época gripal no hemisfério sul, o especialista traçou à agência Lusa um panorama genérico do que se pode esperar na atual época gripal.

Na Europa, a gripe encontra-se neste momento com tendência crescente e há em circulação vários tipos e estirpes de vírus, embora o H1N1 seja o predominante.

“Isto significa que vamos ter carga de doença em todos os grupos etários, mas a maior taxa de ataque será nas pessoas nascidas depois de 1957, porque antes de 57 as pessoas lidaram mais com o H1N1 e têm mais imunidade e maiores defesas”, afirma o perito.

Filipe Froes lembra que em Portugal são sobretudo vacinadas as pessoas mais idosas, a partir dos 65 anos, e que “no grupo etário que previsivelmente terá maior taxa de ataque pode haver menor cobertura vacinal”. Aliás, o médico recomenda a vacina a quem ainda não se vacinou, caso encontre a vacina disponível no mercado.

A vacina da gripe é gratuita no SNS e dispensa receita para pessoas a partir dos 65 anos, sendo fortemente recomendada entre os 60 e os 64 anos, grupo etário para o qual não é gratuita.

A Direção-Geral da Saúde iniciou, esta época, a vacinação da gripe mais tarde, em 15 de outubro, para garantir maior cobertura durante o período da epidemia, o que Filipe Froes considera “perfeitamente adequado e justificado” com o que a realidade está a demonstrar.

Sobre os grupos que devem ser vacinados, o pneumologista e intensivista entende ainda que as autoridades terão de equacionar “recomendar a vacinação em todas as crianças, independentemente de terem ou não uma patologia associada”.

Há dados noutros países, como em Inglaterra, que demonstram que a vacinação de crianças esteve associada à diminuição da carga da doença nos avós, com consequente redução e consultas médicas e até de consumo de antibióticos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, na atual época gripal já morreram pelo menos 11 crianças devido à gripe, sustenta o especialista.

LUSA

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