Fundada em 1781 em Doshomachi, Osaka, principal centro de comércio de medicamentos do Japão, por Chbei Takeda, um jovem empreendedor de 32 anos de idade, a Takeda chegou a Portugal em 2011 através da aquisição da multinacional Suíça Nycomed, compra que a colocou no 12º lugar no pódio das maiores farmacêuticas mundiais. À compra da Nycomed seguiu-se, em maio último, uma das maiores aquisições de sempre na Indústria Farmacêutica: a compra do gigante biotecnológico britânico Shire, num negócio que ascendeu a 62 mil milhões de dólares e que catapultou a Takeda como maior farmacêutica a nível global no segmento de medicamentos órfãos.

Da fusão com a Shire, resultou um aumento da capacidade “para nos concentrarmos em doenças que afetam pequenas e específicas populações de doentes”, explicou ao Saúde Online Dominika Kovacs, country manager da Takeda, para logo acrescentar: “muito embora Portugal seja um país de pequena dimensão, esta combinação das duas organizações permite criar a oportunidade de construir capacidades a nível local”.

Um potencial que se reflete nos resultados, aponta a country manager: “os últimos dois anos foram excelentes no que respeita a performance. A empresa duplicou o seu negócio e a sua equipa, o que na minha opinião, são dois grandes indicadores para o futuro. A Takeda tem mais de 30.000 colaboradores a nível internacional. Em Portugal, planeamos ter 26 até ao final deste ano fiscal”.

Presente em 70 países, a atividade da Takeda centra-se nas áreas da oncologia, gastroenterologia, neurociência e vacinas. Já em Portugal, o principal foco da empresa incide sobre a doença inflamatória intestinal, Linfoma de Hodgkin, mieloma múltiplo e cancro do pulmão.

2019 será um ano “muito desafiante já que iremos centrar esforços no processo de integração das operações globais da Shire”, explica Kovacs, que confessa estar muito ansiosa por começar a trabalhar “com os nossos colegas da Shire”. Segundo a gestora, o objetivo é “construir uma empresa que permita que as pessoas sejam bem-sucedidas. Seremos uma empresa mais relevante e capaz de proporcionar mais oportunidades para todos – os nossos doentes, os nossos colaboradores e os nossos parceiros. Ainda não se concluíram as diligências, pelo que continuamos a operar como empresas separadas. Uma vez iniciada a integração, será necessário seguir regras e regulamentos locais”, acrescenta.

“Desenvolvemos mais de 50 colaborações a nível global no último ano, com empresas de biotecnologia, centros académicos, universidades e fundações privadas. Estas parcerias vão-nos ajudar a desenvolver novos medicamentos a longo prazo”

O impacto da reestruturação da atividade sobre os recursos humanos ainda não é conhecido. “Precisaremos de encontrar uma solução que acomode as necessidades da empresa, que acaba de dar um enorme passo de crescimento. A solução tem de ser encontrada durante o processo de integração. É, todavia, nosso objetivo reter o talento e o conhecimento que a Shire disponibiliza, já que os negócios são complementares. A estratégia de I&D da Takeda não se vai alterar e será acrescentada uma nova área terapêutica de Doenças Raras. Vamos continuar a trabalhar seguindo um modelo LOC (Local Operating Country), uma vez que permite a agilidade e o enfoque necessários ao nosso negócio. De acordo com a filosofia da Takeda, capacitar as empresas locais para tomarem decisões é a melhor e mais rápida forma de sermos bem-sucedidos”, concretiza Dominika Novacs, que ao Saúde Online revelou as prioridades da sua gestão à frente da Takeda Portugal: “A curto prazo, a minha principal prioridade será reforçar a presença da empresa no mercado português, assegurando que colocamos a nossa capacidade de inovação ao serviço dos doentes, e promover mais parcerias com as organizações académicas e de investigação”. Para a responsável, “Portugal é um país estratégico a nível Europeu, mas ainda é um mercado em desenvolvimento, com uma contribuição que tende a crescer”, aponta Dominika Kovacs, no país desde 2015, depois de ter sido vice-presidente da companhia para a área de I&D nos EUA.

Já a nível global, a prioridade “será a nossa área de I&D, que irá focar-se em três vertentes terapêuticas – oncologia, gastroenterologia (GI) e neurociência. Aproveitamos ainda as nossas capacidades globais para desenvolvermos vacinas que respondam a ameaças à saúde pública recorrendo a novas plataformas de desenvolvimento”. Um processo no qual Portugal já participa, através de ensaios clínicos “em que se encontram envolvidos os principais hospitais portugueses, médicos e investigadores. Desenvolvemos mais de 50 colaborações a nível global no último ano, com empresas de biotecnologia, centros académicos, universidades e fundações privadas. Estas parcerias vão-nos ajudar a desenvolver novos medicamentos a longo prazo”, acrescenta.

Refira-se que a Takeda tem várias terapias globais importantes no mercado. “Um dos nossos mais importantes ativos globais é a terapia biológica para doentes com Doenças Inflamatórias Intestinais. Contamos ainda com duas importantes terapêuticas para doentes com alguns tipos de cancros de sangue, incluindo o Linfoma de Hodgkin e Mieloma Múltiplo. Temos 28 moléculas em pipeline, tanto em estádios de desenvolvimento iniciais, como finais, incluindo 10 terapêuticas oncológicas e quatro vacinas. Neste momento, a Takeda tem um tratamento para doentes com cancro de pulmão em fase de avaliação pela Agência Europeia do Medicamento (EMA). Este tratamento já está aprovado nos EUA e a Takeda acredita que se tornará uma opção terapêutica importante para os doentes. Além disso, e através da aquisição da TiGenix, em janeiro deste ano, estamos a preparar o lançamento da primeira terapêutica composta por células estaminais aprovada pela EMA na área de gastrenterologia”, revela Dominika Novaks.

Os desafios de um mercado pequeno e muito regulado

Questionada sobre as dificuldades de operar num mercado pequeno, muito regulamentado, Dominika Kovacs contrapõe, afirmando que “o país tem mecanismos pioneiros nos cuidados de saúde, como seja o processo de avaliação de tecnologias de saúde”. Um facto que, diz, “aliado à dimensão do país e à postura orientada para soluções fazem de Portugal um local perfeito para implementar pilotos de novas ideias e inovações”. O mesmo relativamente às dificuldades muitas vezes apontadas pelas companhias farmacêuticas à aprovação de medicamentos pelo regulador: “embora seja complexo, não nos desanima. A Takeda apenas desenvolve medicamentos capazes de facultar um benefício significativo, acima do padrão. Significa isto que é através da evidência do valor dos nossos medicamentos para os doentes que temos as aprovações necessárias para promovermos a inovação em Portugal”.

Mais, aponta a gestora, “através de parceria com o INFARMED, contamos com mecanismos como autorizações de utilização especiais e programas de acesso precoce que nos permitem fornecer os nossos medicamentos inovadores ainda durante o processo de aprovação e avaliação económica. Embora não seja ideal, já que estes mecanismos requerem aprovação individualizada e não sejam tão céleres, continuamos a esforçar-nos por minimizar o tempo necessário para concluirmos a avaliação económica dos nossos medicamentos através de uma sólida colaboração com o INFARMED”.

“É através da evidência do valor dos nossos medicamentos para os doentes que temos as aprovações necessárias para promovermos a inovação em Portugal”.

Responsabilidade social também é apoiar o combate a incêndios

À semelhança de outras multinacionais que operam em Portugal, a Takeda aposta forte em iniciativas de responsabilidade social: “é nossa responsabilidade apoiar a sociedade e a nossa comunidade. No último ano, contribuímos com apoio financeiro para o combate aos incêndios. Além disso, garantimos apoio a algumas instituições locais muito especiais com a missão de ajudar os cidadãos portugueses. Entre estas instituições encontram-se a Terra dos Sonhos e a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Lisboa. Mais recentemente, patrocinámos uma recolha de fundos num evento, denominado Padel4acause, através da qual conseguimos angariar, em conjunto com outros parceiros, verbas para adquirir uma carrinha para que o CASA – Centro de Apoio ao Sem-abrigo – possa distribuir refeições à população em situação de sem-abrigo. Além disso, a Takeda está profundamente envolvida com o meio ambiente e está a fazer o melhor para reduzir o consumo de recursos naturais, assim como para reduzir as emissões e a produção de desperdício. Vale ainda a pena mencionar o trabalho que a Takeda tem desenvolvido para tornar mais fácil o acesso a medicamentos e tratamentos em todo o mundo, em conjunto com governos e ONG, nomeadamente no desenvolvimento de sistemas de cuidados de saúde e na prática de políticas de redução de preço”, testemunha a diretora-geral da filial portuguesa da multinacional farmacêutica.

Miguel Múrias Mauritti 

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