Como se desenvolve a neuropatia periférica?

A neuropatia desenvolve-se quando os nervos periféricos que fazem a comunicação entre a periferia, onde temos os recetores ao nível da pele, e o sistema nervoso central sofrem uma lesão.

Pode ter várias etiologias. A que conhecemos melhor, pela sua prevalência, é a diabetes, mas existem outras causas associadas.

Quais são os principais sintomas?

A neuropatia pode apresentar-se numa forma subclínica. Isto é, pode manifestar-se pela perda de sintomas. As pessoas não se apercebem tanto da patologia.

Enquanto que outros pacientes podem apresentar sintomas atípicos, tais como: parestesias, disestesias associados aos formigueiros, às picadas e ao ardor. Em alguns casos pode haver fraqueza muscular, dormência, a hipersensibilidade extrema. Tudo isto se engloba nos sintomas atípicos porque são difíceis de descrever e são facilmente confundidos com outras doenças.

Com que tipo de doenças?

Associam um pouco à dor típica osteomuscular, que é a dor mais conhecida. É importante conseguir rastrear e perguntar diretamente pelos sintomas. São difíceis de descrever e, por vezes, só procuram ajuda quando a intensidade da dor vai de moderada a grave.

E como é feito o rastreio?

O rastreio está associado à suspeita de as pessoas virem a sofrer de neuropatia. No caso da diabetes, falamos de rastrear uma complicação desta doença como rastreamos a retinopatia, a doença renal e a lesão do pé, por exemplo.

Através da pesquisa de sensibilidade motora, analisamos se a pessoa consegue identificar um traumatismo, ou seja, estamos a pesquisar aquela causa subclínica e a perceber se já perderam o tal sintoma.

Só que também temos doentes com dor neuropática. Sendo algo atípico, podem ter dificuldade na sua descrição. É por isso importante que o médico tenha um passo à frente para saber se tem os fatores de risco: o caso da diabetes, pessoas mais idosas, alcoolismo, pessoas com restrições alimentares como os vegetarianos pelo défice da vitamina B12.

Qual a intervenção recomendada para essas situações?

Se houver défice de vitamina B12, que resulta de restrições alimentares, podemos dar suplementos e fornecer essa vitamina. No caso da diabetes, atuamos no controlo da glicémia e dos fatores de risco cardiovasculares, e conseguimos travar a sua progressão.

A neuropatia associada à diabetes pode não ser só devida à própria diabetes, mas como efeito secundário de alguns fármacos, levando ao défice da vitamina B12. Novamente, nesse caso, podemos dar a suplementação.

Quando falamos em rastreio, podemos não ter uma solução, mas temos meios para controlar. Podemos não curar, mas podemos contribuir para aliviar os sintomas. Dispomos de instrumentos farmacológicos para ajudar esta pessoa a ter uma vida normal.

Qual a expressão desta doença em Portugal?

Não temos estudos sobre a prevalência da neuropatia em Portugal. Na Sociedade Portuguesa de Diabetologia começámos a desenvolver um estudo sobre a prevalência de neuropatia diabética. Estudámos principalmente o território da Madeira, à volta de 500 inquéritos, e determinámos uma prevalência de neuropatia diabética de 15%.

Existem poucos estudos porque falamos de uma doença difícil de diagnosticar. Quando falamos de prevalência não falamos de rastreio, falamos de uma forma rápida de determinar a patologia e isso não existe aqui. Não há só um instrumento para diagnosticar a neuropatia; é preciso um exame neurológico, o historial, ter em conta outras doenças.

No caso da Diabetes, conseguimos determinar a prevalência pelo teste da glicémia; na neuropatia é preciso ter em conta vários fatores: é preciso um exame neurológico, o historial e ter em conta outras doenças associadas.

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