“Neste momento, ainda temos 10 a 15 mil doentes para tratar, alguns não sabem que estão infetados, porque é uma doença silenciosa”, disse à agência Lusa o diretor do Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), Rui Tato Marinho, na cerimónia de comemoração dos 64 anos do Hospital Santa Maria, que arrancaram  com uma conferência e o lançamento do livro “Hepatite C – o Futuro Começou Aqui”.

Há ainda “um grande grupo de pessoas que consumiram drogas e que ainda não conseguiram chegar aos serviços de saúde, porque os hospitais são difíceis, de modo a ter o acesso ao tratamento”, disse o hepatologista.

Para um diagnóstico precoce da doença, Rui Tato Marinho recomendou aos portugueses que “façam pelo menos uma vez na vida o teste da hepatite C e do VIH”.

Presente da conferência, Fátima Serejo, médica do Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia do CHULN, defendeu a importância de uma estratégia para erradicar a hepatite C. “Temos que falar muito da doença e melhorar o acesso ao tratamento”, defendeu Fátima Serejo, considerando ser “muito importante” intervir junto da população reclusa e dos utilizadores de drogas injetáveis.

“Estamos longe da erradicação do vírus”

 

“Já tratámos muitos doentes, mas ainda estamos longe da erradicação do vírus na população”, adiantou. “É preciso identificar, testar e tratar rapidamente aqueles que estão identificados para erradicar o vírus”, defendeu Fátima Serejo.

Luís Mendão, presidente da Direção do Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT), deixou um depoimento na conferência, lido por Ricardo Fernandes, do GAT, em que lembra os benefícios da introdução em Portugal do medicamento para a hepatite C.

“Portugal tomou com algum atraso uma medida verdadeiramente inovadora em fevereiro de 2015 que permitiu aprovar tratamentos para mais de 20 mil pessoas desde essa altura. No entanto, pensamos que há muito a fazer para termos uma verdadeira estratégia e plano de ação sólidos para a eliminação da doença”, salienta Luís Mendão.

Sublinha ainda que, apesar dos esforços feitos sobretudo na sociedade civil e na comunidade para o aumento do rastreio, não há ainda uma política e uma estratégia eficaz para encontrar as pessoas infetadas e para curar aqueles já diagnosticado que se perderam no acompanhamento nos hospitais”.

Na sua intervenção na conferência, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, defendeu a importância de aumentar o rastreio e o diagnóstico precoce e de reduzir a mortalidade associada à doença e o número de crianças infetadas e, sobretudo, prevenir a transmissão vertical.

Graça Freitas salientou o papel das organizações não-governamentais que têm rastreado populações de maior vulnerabilidade, tendo contribuído com 8.000 testes só em 2017 para o vírus da hepatite B e com 10.000 testes para a hepatite C que permitiram identificar, respetivamente, 159 e 191 pessoas de elevado risco em relação à doença.

“Milhares e milhares de testes” também são feitos nos cuidados de saúde primários, na ordem de mais 200 mil por ano para a hepatite B e mais de 150 mil para a hepatite C, salientou.

A diretora-geral da Saúde considero ainda “impressionante a quantidade de doentes que já estão autorizados para tratamento” para a hepatite C: cerca de 22.000, dos quais 20 mil já o iniciaram, sendo a taxa de cura é na ordem dos 97%.

LUSA

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