“Informação séria, credível e validada” é o que tem para oferecer a primeira enciclopédia pediátrica escrita em português, online e gratuita. Elaborada por profissionais de saúde, a Pedipedia, que já se encontra disponível há quase um ano, quer transmitir conhecimentos práticos a famílias e cuidadores espalhados pelo mundo e que, muitas vezes, se encontram longe das unidades de saúde.

Criada pela Associação de Apoio à Saúde, a enciclopédia online (que pode ser consultada em www.pedipedia.org) destina-se a dois tipos de públicos: famílias (pais e cuidadores) e crianças; e aos profissionais de saúde, como forma de contribuir para a formação na área saúde infantil e como apoio à prática clínica. Por isso, cada patologia relacionada com a criança que é apresentada e explicada no site tem duas versões diferentes.

Muitas vezes, os profissionais de saúde não são médicos, como explica o cirurgião pediatra Fernando Mena Martins. “Em muitos países e regiões, não há médicos. São enfermeiros ou técnicos de saúde que tratam as crianças e essas pessoas precisam de muito mais apoio do que os médicos”, refere o também editor-chefe da Pedipedia. Esta realidade é particularmente visível nos países onde as crianças são assistidas por profissionais sem a devida formação.

 

A pesquisa de informação nesta enciclopédia pode ser feita através de quatro formas: procura direta pelo nome, por especialidade, por sinais e sintomas e por regiões anatómicas.

 

“Interessa-nos muito a periferia geográfica, de conhecimento, do dinheiro”, diz Fernando Mena Martins, em declarações ao Saúde Online. O médico tem bem presente na memória os casos que lhe chegam ao consultório, de mães que trazem os filhos a Portugal, com esperança de tratar uma patologia que já devia ter sido tratada há muito. “Isto levou-nos a pensar que é preciso ensinar às pessoas da periferia como e quando é que estas patologias se tratam”, explica.

A falta de conhecimento, a que se junta a falta de credibilidade e validação da informação que corre na internet, é um problema que a Pedipedia quer ajudar a combater. “Com mais informação, nós conseguimos que pessoas vão menos às urgências, vão mais às consultas, sigam mais os tratamentos receitados pelos médicos, que haja menos abandono de terapêutica. A informação é a base”.

A Pedipedia é atualizada por um grupo de médicos e docentes universitários, num total de mais de 400 profissionais de saúde, especialistas em 46 áreas clínicas relacionadas com a saúde infantil, como anestesiologia, alergologia ou obstetrícia. Como explica o editor-chefe do projeto, cada área clínica conta com um conselho de especialidade, coordenado por uma pessoa “com um currículo indiscutível”. Para garantir a qualidade e o máximo rigor científico possível do que é apresentado, cada artigo é sujeito a um complexo processo de aprovação interno antes de ser publicado.

Apesar de alertar que o projeto não se pode confundir com um consultório médico (“não fazemos consultas”, frisa), Fernando Mena Martins realça que, no caso dos profissionais de saúde, lhe são dadas “propostas sobre o que se deve fazer em cada caso”. “Damos-lhes aconselhamento sobre como se deve abordar a patologia”, conclui.

Numa fase mais avançada, Fernando Mena Martins admite que o projeto possa vir a ser replicado noutras línguas (com o chinês e o castelhano no topo das prioridades) e que possa vir a ser utilizado como apoio nas escolas. Para apoiar e ajudar a divulgar o projeto, a Pedipedia conta, por exemplo, com o alto patrocínio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do também dos presidentes da República de alguns países lusófonos, como São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste.

Saúde Online

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