Com o objetivo de sensibilizar sobre o impacto desta doença, o estudo “Comichão pela Vida – Qualidade de Vida e custos para as pessoas com dermatite atópica na Europa” (Itching for Life – Quality of Life and costs for people with atopic eczema in Europe) analisou 1.189 pessoas com dermatite atópica grave em 9 países da União Europeia.

“A EFA quer promover uma maior compreensão entre as pessoas que não têm a doença para ajudar os europeus que vivem de forma atípica devido à dermatite atópica grave a terem uma vida mais normal”, afirma Susanna Palkonen, Diretora da EFA, citada em comunicado.

Entre as principais conclusões, o estudo revela que 23% dos participantes não tem uma visão otimista sobre a sua vida, sendo que 1 em cada 4 sente incapacidade para lidar com a vida, sobretudo acima dos 50 anos e nas condições mais graves da doença; 51% das pessoas tentam esconder a doença e 45% das pessoas confessa que a dermatite atópica influenciou os seus relacionamentos, vida sexual e hobbies na semana antes das entrevistas, sendo que 38% sente-se prejudicado no trabalho por causa da sua pele. No que toca à sintomatologia, 28% das pessoas referem que vivem todos os dias com prurido (comichão) na pele, 17% têm a pele com fissuras e 20% sentem a sua pele a descamar.

Em relação aos gastos com a doença, o relatório conclui que as pessoas com dermatite atópica grave pagam adicionalmente, em média, 927.12€ por ano pelo tratamento da doença e têm gastos extras com necessidades quotidianas, como higiene pessoal, que custam em média 18% a mais por mês.

A apresentação deste estudo ocorreu no dia 14 de setembro, de forma a assinalar o 1º Dia Europeu e Mundial da Dermatite Atópica, no 27º Congresso Anual da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV), que decorreu em Paris.

O relatório pode ser consultado aqui.

O que é a dermatite atópica?

A Dermatite Atópica, ou Eczema Atópico, é a uma das formas mais comuns da dermatite. É uma doença inflamatória crónica da pele, associada à atopia, não contagiosa, imunomediada e determinada pela interação entre a genética e fatores ambientais. A pele muito seca, descamativa e inflamada (vermelha) e um intenso prurido são os principais sintomas desta patologia dermatológica, ainda que possam variar consoante a idade e com o grau da gravidade da doença.

É uma doença que pode afetar todas as idades, mas o início da doença é mais frequente no grupo etário abaixo dos 5 anos de idade,  estimando-se que afete entre 10% a 20% da população pediátrica. Quando persiste no adulto, correspondendo a cerca de 30% dos casos, tende a ser mais grave. Estima-se que a prevalência da Dermatite Atópica na população em geral seja de 2-5%2.

Mónica Abreu Silva 

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