“Os pacientes com cancro não apresentam apenas problemas relacionados com a saúde física, mas também psicológicos, sociais e questões existenciais que podem comprometer o seu bem-estar. O sofrimento emocional afeta os pacientes e a sua resposta ao tratamento, pelo que é necessário intervir”, adiantou à Lusa Ana Bártolo, investigadora do grupo AgeingC, do CINTESIS.

O projeto, denominado Psy&Cancer, conta com a colaboração do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro, e tem como objetivo “identificar as necessidades especificas” de cerca de 178 jovens e mulheres, entre os 18 e os 40 anos, com cancro mamário ou ginecológico.

“Queremos perceber os desafios e as necessidades específicas destas doentes para podermos intervir. O nosso projeto foca-se na avaliação das preocupações reprodutivas desta faixa etária e perceber de que forma é que estas preocupações podem influenciar o comportamento psicossocial no decurso da doença”, salientou.

Segundo a investigadora, os resultados que “ainda estão a ser trabalhados” indicam que as principais preocupações estão relacionadas com a “reprodução associada ao risco genético” e com a “capacidade, após a doença, de terem filhos”.

Depois de avaliadas as preocupações reprodutivas, a sintomatologia depressiva e a ansiedade, a equipa encontra-se agora a “validar uma escala nacional sobre esses indicadores”, isto porque “não existe nenhuma escala em Portugal que contenha informações sobre esta faixa etária”.

“De facto, esta é uma área que necessita de alguma investigação, porque sabemos que uma doença oncológica quando surge não é apenas uma doença, acaba por ter uma implicação multidimensional em vários domínios da vida da pessoa”, frisou.

Assim, para “consciencializar para esta problemática”, o CINTESIS e a Universidade de Aveiro vão realizar, em março, o I Congresso Nacional de Investigação Científica em Oncologia Psicossocial – ICOP.

“Com o congresso queremos divulgar projetos de investigação e de intervenção na área da Oncologia Psicossocial e juntar diferentes instituições de ensino e unidades de investigação para debatermos o que tem sido feito ao nível da investigação”, acrescentou.

O congresso, que se realiza em Aveiro, vai contar com a presença de oradores da Fundação Champalimaud, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e do ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida.

LUSA

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