Saúde Online | Em que ponto estamos no combate à doença em Portugal?

Dra. Paula Freitas | Não se pode falar propriamente de um combate porque, enquanto que na diabetes tipo 2 está associada aos comportamentos (dieta, exercício físico), sedentarismo, no caso da diabetes tipo 1 há um background genético, pode haver eventualmente um acelerador que tem a ver, por exemplo, com um aumento da obesidade. Mas a diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, portanto, a sua prevalência está associada a outros fatores e o combate não é muito fácil – implicaria modular a autoimunidade.

Mais do que o combate, eu diria que o que é importante é diagnosticar e tratar corretamente ao longo de toda a vida porque a prevenção da diabetes tipo 1 (através da terapêutica génica, vacinas) é uma coisa que ainda está em investigação.

Portanto, neste momento, não é possível baixar a prevalência da doença?

PF | A prevalência da diabetes tipo 1 no grupo entre os 0 e os 18 anos (crianças) é mais baixa que nos adultos e situa-se entre 0,9 por cada 1000 indivíduos (dados de 2015), enquanto que a média da OCDE é 1,2 por mil indivíduos.

Em relação à terapêutica, que novidades temos tido nos últimos tempos? O que podem trazer as novas insulinas de ação prolongada?

PF | Temos tido algum upgrade. A vantagem das novas insulinas de longa duração é que têm uma menor variabilidade e, por isso, estão menos associadas a hipoglicemias. Isto confere-lhes uma segurança muito maior. Também o facto de estas insulinas terem uma semivida muito prolongada é bom para os doentes, porque permite que os doentes façam apenas uma administração diária. Estas vantagens traduzem-se numa maior adesão à terapêutica.

Quais são os grandes desafios no tratamento da doença nos próximos anos? Que inovações podem chegar?

PF | As novas insulinas são uma vantagem, pelo facto de terem um perfil mais fisiológico – imitando praticamente na perfeição aquilo que se passa num indivíduo sem diabetes. Também as bombas infusoras de insulina, que permitem fazer uma linha basal e permitem que o individuo administre insulina pré-prandial de uma maneira muito mais cómoda.

As grandes inovações para um futuro (que será um futuro próximo) são o pâncreas artificial mecânico, que é um pâncreas em que, de forma automática, é possível administrar a dose de insulina de que a pessoa precisa. Trata-se de um aparelho que está a infundir insulina e que sabe qual é a dose que deve administrar – atualmente, tem de ser a pessoa a tomar a decisão quanto à quantidade de insulina a tomar.

E esse pâncreas artificial mecânico já está a ser utilizado?

PF | Não, ainda está em fase de investigação mas estamos quase, quase. Outra inovação para um futuro próximo será o pâncreas biónico, que é um pâncreas do mesmo género do anterior mas que administra insulina e glucagon. Ou seja, desta forma, consegue-se controlar muito bem os indivíduos.

Depois, para o futuro, poderemos pensar na terapêutica génica. Nas pessoas que têm uma suscetibilidade genética, que têm autoimunidade e que sabemos que vão evoluir, poderemos modular e, assim, o individuo passaria a produzir as células produtoras de insulina. Mas ainda estamos um bocadinho longe.

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