A cerca de um mês de terminar a sua nomeação para o cargo (a 16 de dezembro), Manuel Lopes, Coordenador dos cuidados continuados integrados, cessou agora funções, recusando adiantar se foi afastado ou se sai por vontade própria. Manuel Lopes remete mais explicações para o Ministério da Saúde.

“Não me compete dar explicações”, disse ao jornal Público. De saída, Manuel Lopes diz estar “muito orgulhoso do trabalho feito” mas lamenta que ainda não sido concretizado o estatuto do cuidador informal, que diz, é “uma questão central”. Agora demissionário, lembra que a Coordenação Nacional para a Reforma dos Cuidados Continuados entregou atempadamente aos responsáveis políticos o plano de desenvolvimento do estatuto do cuidador informal.

Manuel Lopes parece abandonar agora o cargo em rutura com o governo. No final de setembro, o primeiro ministro admitiu que o Estatuto não iria avançar porque tal medida implicaria um grande esforço orçamental. Pelas contas de António Costa, o plano custaria 120 milhões de euros no próximo ano mas, quando atingisse “a velocidade de cruzeiro”, a factura ascenderia a 800 milhões de euros anuais.

Manuel Lopes discorda da opção do governo e defende que “há muitas formas de criar o estatuto do cuidador informal e de o implementar”, concedendo que não seria necessário, numa fase inicial, abranger todos os potenciais beneficiários.

Manuel José Lopes foi nomeado coordenador nacional para a reforma do Serviço Nacional de Saúde na área dos Cuidados Continuados Integrados em 2016 pelo anterior secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, que deixou o cargo com a remodelação governamental que levou à saída do ministro Adalberto Campos Fernandes há um mês.

Manuel Lopes é doutorado em ciências de enfermagem e professor da Universidade de Évora e em 2010 já tinha sido coordenador da elaboração do relatório especializado “Cuidados Continuados Integrados em Portugal — Analisando o presente, perspetivando o futuro”.

Saúde Online / LUSA

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