Paula Klose, presidente da AJDP, disse à Lusa que o evento se foca na diabetes tipo 1, a que tem merecido menos atenção pública, sublinhando as diferenças em relação à diabetes tipo 2, sobretudo porque não resulta de comportamentos voluntários (como sedentarismo ou hábitos alimentares) nem de fatores genéticos.

“Aqui não existe ‘culpa’. A doença surge, sem que se saiba ainda porquê, apesar dos muitos estudos científicos, afetando pessoas de todas as idades”, disse, salientando que, “com uma série de cuidados”, o dia-a-dia dos portadores desta doença é perfeitamente normal.

Para Paula Klose, ela própria portadora de diabetes tipo 1, o conhecimento que estas pessoas adquirem sobre o seu corpo e a alimentação, dada a necessidade de fazer a contagem regular de hidratos de carbono e de saber dosear a insulina de que necessitam, até ajuda a que “possam ser mais saudáveis”.

No evento que irá decorrer ao longo de todo o dia de sábado, na Casa do Campino, várias pessoas que vivem com a diabetes tipo 1 vão partilhar o seu testemunho, mostrando “como não são definidas pela doença e referindo os principais desafios que têm enfrentado, nomeadamente por preconceitos da sociedade”.

Entre os testemunhos estarão os de uma pessoa com 83 anos, Raúl Teodoro, que vive com a doença há 60 anos, um jovem ator, Miguel Ruivo, com a doença desde os 10 anos, e um fisiologista do exercício, João Almeida, 22 anos, com diabetes desde os 15 anos.

A AJDP tem em curso a campanha “Somos o que queremos ser”, em que várias pessoas dão a cara para mostrar como a doença não as impede de fazer o que quer que seja, nomeadamente a prática de exercício físico, mesmo em competição.

Ao longo do dia, especialistas falarão de situações em que ainda persiste o estigma, nomeadamente na escola, com relatos de casos em que a falta de conhecimento levou a atuações menos corretas para com as crianças, ou mesmo nas instituições de saúde, dada a prevalência de uma abordagem que se “foca mais nos números do que no relacionamento pessoal”.

A importância do desporto na diabetes será outro dos temas a abordar, estando previsto um treino para ensinar alguns exercícios e uma aula de artes marciais.

As inovações nesta área, nomeadamente, o designado “pâncreas artificial”, que permite a medição contínua e a injeção automática da insulina, serão outro assunto em análise.

“A ideia de que a diabetes pode limitar a vida e as escolhas dos jovens e crianças que vivem com esta doença crónica continua a estar presente na mente de pais e professores”, afirmou Paula Klose, lamentando que ainda existam “escolas que não aceitam crianças que vivem com diabetes por não saberem como dar-lhes o apoio de que necessitam e por não terem profissionais disponíveis para acompanhar estas crianças”.

Apontou ainda que alguns professores, em especial de educação física, “continuam a proibir alunos que vivem com diabetes de realizar as aulas, por pensarem que estes não as podem realizar”.

Afirmando que a diabetes tipo 1 afeta 3.327 jovens em Portugal, a presidente da AJDP salientou a importância de dar a conhecer a estes jovens que “podem ter uma vida plena, saudável e sem limitações, desde que façam o tratamento adequado, que passa pelo controlo diário dos níveis de glicemia no sangue, uma alimentação saudável e a prática regular de exercício físico”.

A diabetes tipo 1 é uma doença crónica, que se desenvolve quando o pâncreas para de produzir a insulina de que o corpo necessita e, consequentemente, os níveis de açúcar no sangue sobem.

LUSA

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