Os números dizem respeito ao ano de 2012, mas, desde aí, poucas melhorias terão ocorrido: cerca de dois em cada cinco doentes oncológicos que precisavam de ser submetidos a radioterapia não realizaram o tratamento, segundo dados de um estudo europeu divulgado esta quarta-feira.

Os dados do projecto HOPE – Economia de Saúde em Oncologia Radiológica pretendem mostrar a diferença entre o uso ideal e o real uso de radioterapia em doentes oncológicos. Na comparação com os 24 europeus cujos dados foram analisados, Portugal não fica bem na fotografia, posicionando no 20º lugar da tabela.

O trabalho, coordenado pela Sociedade Europeia de Radioterapia e Oncologia e citado pelo jornal Público, calcula que, em 2012, dos 24.438 a 25.151 doentes com indicação para este tratamento, só 14.366 fizeram tratamentos como recomendado, o que corresponde a uma percentagem inferior a 60%. Portugal é, assim, um dos 11 países que ficaram abaixo dos 70% dos doentes tratados – rácio recomendado na medicina.

Em quase todos os países houve um défice de tratamento em relação aos doentes que necessitavam de radioterapia. A exceção é o Montenegro. Áustria, República Checa e Holanda têm rácios de tratamento a rondar os 80%.

Os autores do estudo alertam para a discrepância verificada “representa um grande desafio para os decisores políticos na hora de planear os recursos alocados” à área da saúde. O problema pode até vir a agravar-se, tendo em conta o expectável aumento dos casos de cancro e consequente aumento do uso do tratamento por radioterapia.

Entre as explicações apontadas pelo estudo para o facto de a adesão à terapêutica estar aquém do desejável está a distância aos locais de tratamento. A adesão é também, geralmente, menor nos doentes mais velhos e pacientes com níveis socioeconómicos mais baixos.

Outra das explicações é a escassez de recursos humanos nos hospitais, bem como a opção dos médicos por métodos de tratamento alternativos, ainda que haja evidência consolidada de que a radiação apresenta melhores resultados em termos de sobrevivência, qualidade de vida e melhor controlo dos efeitos secundários.

Saúde Online

ler mais