A denúncia é do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e dá conta de que o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) deixou de fazer colheitas de sangue aos doentes internados todos os dias úteis, como era feito até aqui, e como é, de resto, prática habitual nos hospitais.

O SIM garante, em comunicado, que cada serviço só está a fazer colheitas de sangue “2 ou 3 dias por semana”. No Hospital São Francisco Xavier, que pertence ao CHLO, os doentes dos serviços de ortopedia e cirurgia só fazem análises ao sangue às terças e quintas-feiras. Esta escala consta de um documento emitido pelo serviço de patologia clínica e assinado pelo director de serviço, João Faro Viana, a que a revista Sábado teve acesso.

No documento citado, refere-se que “as colheitas nos internamentos não irão começar antes das 09h00 e poderão prolongar-se até às 13h00”. Além disso, pode ler-se que “em situações excepcionais, poderá não ser possível efectuar todas as colheiras”. Para o SIM, “esta situação claramente prejudica os doentes e a prestação de cuidados, atrasando o diagnóstico e/ou avaliação da situação clínica”, até porque, continua o sindicato, existem casos em que “é imperioso que as colheitas de sangue sejam efetuadas nas primeiras horas da manhã”.

Na origem da redução das colheitas está, segundo o secretário-geral do SIM, a entrada em vigor da lei das 35 horas. “Precisavam de ser contratados mais profissionais e isso não foi feito”, diz Jorge Roque da Cunha, que garante que esta situação já se mantém há cerca de seis meses.

Roque da Cunha não acredita que o problema se resolva a curto prazo e acrescenta, em declarações à Sábado, que a forma de o fazer “seria contratar mais gente”. O SIM queixa-se da falta de resposta quer do CHLO quer do Ministério da Saúde e, por isso, vai reportar a situação à Entidade Reguladora da Saúde. Através da queixa à ERS e da denúncia pública, o SIM pretende evitar que esta decisão acabe por “se generalizar e acabe a ser aplicada em todos os outros centros hospitalares do país”.

O Saúde Online contactou o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e está a aguardar as respostas às questões colocadas.

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