Há já 20 anos que não eram revistas as boas práticas da Academia Americana de Pediatria (AAP). Estas segunda-feira, os pediatras americanos voltaram a pronunciar-se e mostram-se agora contra qualquer tipo de castigo físico ou psicológico contra as crianças.

Os especialistas recomendam que os pais (ou os cuidadores das crianças) usem “formas saudáveis de disciplina” e evitem práticas como bater, insultar, envergonhar, meter medo ou ameaçar as crianças.

Nos últimos 20 anos, “houve uma grande quantidade de pesquisas adicionais, e agora podemos dizer com mais convicção que os pais nunca devem bater nos filhos nem utilizar insultos verbais que humilhem ou envergonhem a criança”, explica Robert Serge, pediatra do Tufts Medical Center de Boston e autor principal da declaração da AAP, em declarações à CNN.

As novas orientações são bastante mais rígidas do que as publicadas em 1998, quando os pais eram aconselhados a desenvolver métodos alternativos à palmada em resposta a um comportamento indesejado. “Esta nova diretiva encoraja os pediatras a discutirem com os pais a informação sobre os diferentes modelos disciplinares, para que eles possam tomar as suas decisões sobre como preferem criar os filhos”, acrescenta Robert Serge.

Na base da mudança de posição dos pediatras estão vários estudos, que estabelecem uma relação de causalidade entre os castigos físicos e a maior agressividade das crianças. Outras investigações relacionam também a violência física contra as crianças com sintomas depressivos na adolescência  e diminuição da massa cinzenta do cérebro.

Na lista dos castigos físicos, segundo os pediatras americanos, está também a chamada “palmada pedagógica”, que, segundo a AAP, se descreve como sendo o ato de “bater com a mão aberta, sem causar ferimento, com o objetivo de modificar o comportamento da criança”.

Ao invés dos castigos físicos, os pediatras americanos recomendam que os pais utilizem outro tipo de estratégias para disciplinar os filhos. No caso dos bebés até um ano, o melhor é pegar na criança ao colo, distraí-lo ou mudá-lo de sítio quando fizerem birra. “Uma criança de seis meses não tem capacidade para aprender regras”, diz Robert Serge.

Já em relação às crianças mais velhas, que já estão a entrar na adolescência, a recomendação é para que os pais os deixem sozinhos – num momento de reflexão – e os ignorem durante alguns minutos.  “O relacionamento amoroso entre uma criança e seus pais é a relação mais importante que existe”, disse Serge.

“Os pais podem usar esse relacionamento para ensinar aos seus filhos o que é certo e errado, sem inserir violência, vergonha e humilhação nesse relacionamento”, reforça Serge. “Se for assim, as crianças são mais propensas a crescer sentindo-se seguras e positivas, sabendo como regular o seu próprio comportamento”.
Portugal figura no grupo de países que proíbem os castigos corporais sobre crianças, mesmo em ambiente familiar. Pelo contrário, nos EUA, o mesmo comportamento é permitido.
Saúde Online
ler mais