A agência pública de Saúde de França anunciou ontem que foram detetados 11 novos casos de bebés nascidos com malformações nos membros superiores no país, entre 2000 e 2014, somando-se a sete já registados e que alarmaram alguns especialistas.

Segundo este organismo, entre 2000 e 2008 identificaram-se, no departamento de Ain, no leste de França, sete casos suspeitos de bebés aos quais faltava um braço, antebraço, mão ou alguns dedos sem outra malformação destacável associada, anomalias cromossómicas ou comportamentos de risco dos pais, como a ingestão de drogas ou álcool.

Entre 2009 e 2014, houve mais quatro casos, que se somam aos sete de bebés nascidos em Ain no mesmo período e já contabilizados no início deste mês.

Nesta altura também foram conhecidos quatro casos, entre 2011 e 2013, na localidade de Guidel (noroeste) e sete entre 2007 e 2008, em Mouzeil (oeste), pelo que no total foram identificados 29 casos. Numa informação apresentada a 04 de outubro, a agência realçou que nenhum fator ambiental se revelou como causa provável.

No comunicado de ontem, a Saúde Pública de França destacou que estão a ser desenvolvidas novas investigações e sublinhou que as pesquisas efetuadas anos depois do nascimento são complicadas, pelo que é importante dispor de um registo fiável.

Acrescentou que, para garantir uma vigilância efetiva das anomalias congénitas, foi criada uma federação de registos que congregue a recolha de informação numa base de dados comum.

O alerta ocorreu no início do mês, após o aviso da associação Remera, que tem registo de crianças com malformações na região de Ródano-Alpes, na zona este de França.

A diretora, Emmanuelle Amar, apontou uma possível causa ambiental. “Haveria uma substância utilizada na agricultura capaz de impedir o crescimento de um braço de um bebé dentro do ventre da mãe? Será mera casualidade?”, questionou a epidemiologista, cuja hipótese sobre uma eventual contaminação foi desmentida então pelas autoridades.

LUSA

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