O presidente da APORMED, João Gonçalves, disse à Lusa que “o problema dos atrasos no pagamento dos hospitais públicos às empresas fornecedoras, nomeadamente de dispositivos médicos, é um problema recorrente“.

“Contudo, o que temos vindo a verificar neste segundo semestre é que a dívida hospitalar tem vindo a aumentar, essencialmente, porque há uma expectativa de uma verba especial de 500 milhões de euros que era para ter ocorrido já antes das férias de verão e não ocorreu”, não havendo notícia de quando essa verba será desbloqueada, explicou João Gonçalves.

Segundo os dados mais recentes, que são de agosto e refletem o inquérito que a associação faz mensalmente às empresas, a dívida total situava-se nos 288,5 milhões de euros e a dívida vencida a mais de 90 dias rondava os 182,2 milhões de euros.

Quanto aos prazos médios de recebimentos, João Gonçalves disse que ultrapassaram já os 330 dias (334 dias) nos últimos meses, uma situação que a associação considera “inaceitável e francamente penalizadora” para as empresas.

“É um prazo médio demasiado elevado”, disse, contando que as empresas reportam à associação “problemas do dia-a-dia relacionados com a falta de liquidez nas suas tesourarias” provenientes destes atrasos no pagamento.

A associação considera de “vital importância” o desbloqueio imediato dos 500 milhões de euros, apelando ao Ministério da Saúde para não reter esta verba até ao final do ano, como tem sucedido em anos anteriores, porque “iria agravar mais a situação atual”.

Além do apelo para as autoridades libertarem esta verba, no sentido de “aliviar um pouco as empresas desta situação negativa”, João Gonçalves apelou também para que sejam criadas “medidas estruturais” que permitam resolver a questão da dívida dos hospitais públicos, “uma situação crónica” em Portugal.

Defendeu ainda que as autoridades possam “atuar de forma semelhante” a outros países do sul da Europa que conseguiram resolver a situação, dando como exemplo Espanha que há cerca de cinco anos apresentava “situações piores do que a portuguesa”, com prazos médios de pagamento “muito mais dilatados” e que hoje são inferiores a 90 dias.

“Neste momento Portugal é o pior país da Europa ocidental, o que não nos prestigia e que faz com que este setor e este mercado seja menos atrativo para os ‘players’ que neles operam”, vincou o presidente da APORMED.

LUSA

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