É um salto vertiginoso, que faz com que Portugal se destaque por ser o país que mais aumenta a esperança média de vida entre as nações desenvolvidas, passando dos atuais 81 para 84,5 anos em 2040. Com esta evolução, Portugal ascende ao top 5 mundial, segundo um estudo do Institute for Health Metrics and Evaluation, publicado na revista Lancet.

“Entre os países mais ricos, a maioria tem previsões que apontam para subidas entre um e três anos de esperança de vida; uma exceção é Portugal, que tem um ganho previsto de 3,5 anos“, indica o estudo.

Atualmente, Portugal ocupa a 23ª posição numa tabela de 195 países que é liderada pelo Japão, país onde a população pode contar viver, em média, até aos 83,7 anos. Contudo, daqui a 22 anos (em 2040), o líder do ranking será a Espanha, com 85,8 anos. Portugal ocupará, então, o 5º lugar, com uma média de 84,5 anos. Para além de nuestros hermanos, à nossa frente neste indicador estarão apenas o Japão (85,7), Singapura (85,4) e Suíça (85,2).

A receita para a longevidade nos países ibéricos e noutros países da Europa do Sul (Itália e França vão estar no top 10 mundial em 2040) deve-se, em parte, à dieta mediterrânica mas também à aposta nos serviços de saúde e ao combate contra o sal e o açúcar através da aplicação de taxas que desincentivem o consumo de alimentados prejudiciais à saúde e também da sensibilização para uma alimentação mais saudável.

Em 2016, o último para o qual há registos, as principais causas de morte em Portugal foram as doenças cardiovasculares, cancros, infeções respiratórias e doenças degenerativas como o Alzheimer. Todas estas doenças vão continuar a ganhar peso até 2040. Em sentido contrário, vai continuar a registar-se uma descida das mortes provocadas pelas chamadas doenças de notificação obrigatória (onde estão as hepatites mas também doenças que afetam os países em desenvolvimento, como a malária, dengue, difteria), incluindo o VIH.

Contudo, o grupo de investigadores do Institute for Health Metrics and Evaluation, da Universidade de Washington, alertam que o aumento da esperança de vida tende a abrandar, muito por causa de fatores de risco que se mantêm, como a obesidade, o tabaco, a hipertensão ou a diabetes. Para fazerem a previsão da esperança de vida daqui a mais de 20 anos, os investigadores estudam o impacto de 79 fatores, onde se inclui também acesso a água potável, o Índice de Massa Corporal ou o rendimento per capita.

 

Lesoto no fundo, EUA fora do top 50

 

No fundo da tabela, vai estar o Lesoto (um pequeno país africano com pouco mais de 2 milhões de habitantes encaixado na África do Sul), com uma esperança de vida de 57,3 anos em 2040 – ainda assim uma subida considerável de mais de 7 anos em relação a 2016. Além do Lesoto e da República Central Africana, só outros dois países têm uma esperança média de vida inferior a 65 anos: Zimbabué e Somália. “Num número substancial de países, demasiadas pessoas vão continuar a ter rendimentos relativamente baixos, a ter pouca instrução e a morrer prematuramente”, explica Christopher Murray, um dos autores da investigação.

Em 2040, serão 59 os países onde a esperança de vida vai superar os 80 anos. Um deles é a China, que acrescenta cinco anos a este indicador e chega aos 82. Pela positiva, há a destacar dois países lusófonos: o Brasil consegue uma subida de mais de três anos (para os 78) e Moçambique sobe nove anos e aproxima-se dos 67. Já o Reino Unido (83,3 anos) também aparece fora do top 20, em 23º lugar. Os EUA não chegarão sequer aos 80 anos (79,8) e são ultrapassados por uma série de países, ocupando a 64ª posição.

Saúde Online

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