Quais são os tipos de colesterol?

O HDL corresponde ao “bom” colesterol, que impede o LDL (“mau” colesterol) de se alojar na parede das artérias. Desse modo, o HDL reduz o risco de enfarte do miocárdio ou de acidente vascular cerebral. Pensa-se que este efeito do HDL resulte da sua capacidade de remover o colesterol da parede das artérias.

A presença de níveis elevados de LDL no sangue aumenta o risco de estreitamento das artérias, causando doença cardíaca ou cerebral. Essas placas designam-se por aterosclerose. Se ocorrer a formação de um coágulo numa artéria já estreitada por estes depósitos, poderá ocorrer um enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Como é que se avaliam os níveis de colesterol?

O diagnóstico de dislipidemia é realizado através de uma avaliação analítica (devendo o paciente realizar um jejum de aproximadamente 12 horas) com a medição dos seguintes parâmetros: colesterol total = colesterol LDL + HDL; colesterol LDL; colesterol HDL; triglicerídeos, que corresponde ao valor elevado que poderá originar o aumento do risco cardiovascular em doentes com diabetes ou obesidade, assim como a possibilidade de provocar pancreatite aguda.

Em que situações é que essa avaliação deve ser realizada?

A elevação do colesterol é um dos principais fatores de risco cardiovasculares devendo ser feito o controle, a toda a população, a partir dos 40 anos de idade, nomeadamente em doentes com outros fatores de risco cardiovascular, como a obesidade/obesidade visceral, a hipertensão arterial, a diabetes mellitus e o tabagismo, ou história familiar de doenças cardiovasculares/ateroscleróticas nomeadamente com idade acima dos 60 anos, permitindo estimar o risco cardiovascular do doente pelo método SCORE.

Que hábitos devemos seguir como forma de prevenção?

Os doentes com elevação do valor de colesterol devem ser incentivados na otimização do seu estilo de vida, nomeadamente: a dieta mediterrânica rica em legumes, leguminosas e frutas e pobre em gorduras nomeadamente as saturadas; o aumento da atividade física com 30 minutos diários de prática de exercício físico; evitar longos períodos de sedentarismo; diminuição do peso alcançando um índice de massa corporal entre 18,5-25 e atingir um perímetro abdominal de < 94 cm no homem e de < 80 cm na mulher; restrição da ingestão de sal; ingestão moderada de bebidas alcoólicas (20-30 g/dia – equivalente a 2 copos de vinho 100 ml/dia); evitar o stress; e cessar o consumo de tabaco.

Qual a expressão deste problema em Portugal? E na Europa?

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte nos países europeus, sendo responsável por aproximadamente 45% de todas as mortes (49% nas mulheres e 40% nos homens), estimando-se cerca de 4 milhões de mortes na Europa, anualmente, por esta patologia.

Apesar do conhecimento das consequências que a dislipidemia apresenta, cerca de 50 a 60% da população europeia, incluindo a portuguesa, apresenta critérios de dislipidemia. Vários estudos têm evidenciado que aproximadamente 70 a 80% dos doentes com risco cardiovascular elevado apresentam níveis de colesterol não controlados, facto que aumenta de forma significativa o risco de morte e de evento cardiovascular.

A 29 de setembro assinalou-se o Dia Mundial do Coração, uma efeméride que visa alertar as pessoas para as doenças cardiovasculares. Considera que a população portuguesa está bem informada? De que forma podemos melhorar essa comunicação?

O acompanhamento regular pelo médico e a realização de estudos analíticos, assim como a adesão as medidas de estilo de vida e ingestão de forma regular da medicação prescrita pelo médico, permite de forma muito significativa a redução do risco de novos eventos cardiovasculares e ateroscleróticos.

Numa era da globalização, a utilização dos meios de informação/comunicação contribui para a formação e educação dos doentes, mas sobretudo para estimular crianças e jovens a adquirirem estilos de vida saudáveis.

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